Em virtude da superlotação que culminou com o fechamento das unidades de Tratamento Intensivo (UTI) e de Cuidados Intermediários (UCI) neonatais do Hospital Universitário (HU), uma equipe interdisciplinar das vigilâncias Epidemiológica e Sanitária da Secretaria de Saúde de Londrina realizou ontem pela manhã uma inspeção no setor.
O temor era de que o número excessivo de bebês pudesse desencadear um processo de infecção hospitalar nesses setores, já que o hospital teria informado que sete bebês estavam colonizados por bactérias e outros dois por fungos. Como a colonização não significa risco de infecção para os demais pacientes e a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do HU teria tomado todas as medidas de controle, a secretaria descartou interdição por enquanto. Ontem, as UTI e UCI continuavam superlotadas com 24 bebês internados.
De acordo com a diretora de Epidemiologia e Saúde Ambiental da secretaria, Josemari de Arruda Campos, a situação nas duas unidades do HU está sendo monitorada desde a última sexta-feira, quando HU teria constatado que quatro bebês dos 18 internados no setor seriam portadores de bactéria. Houve o acompanhamento da situação e a secretaria orientou o hospital a redirecionar o fluxo de gestantes para outras instituições.
No começo desta semana, a CCIH do Universitário teria relatado que, além dos quatro bebês, havia outras três colonizadas com bactéria moderadamente resistente e ainda mais duas infectadas por fungos. A diretora lembrou que os bebês internados na UTI/UCI são pacientes de risco e, portanto, mais vulneráveis a problemas dessa natureza. ''Eles não estão com infecção hospitalar. Nossa equipe verificou no local que todas as medidas de controle necessárias foram tomadas'', garantiu Josemari.
Através da assessoria de imprensa da UEL, a direção do HU informou que apenas três bebês estariam com bactérias resistentes e duas com fungos. Segundo a nota, eles foram agrupados em um único local, passam bem e estão recebendo medicamentos específicos. O superintendente do HU, Francisco Eugênio de Souza, garantiu que foram tomadas as providências para evitar a transmissão de um bebê para outro mas lamentou o fato. ''A responsabilidade dessa situação não é do hospital, que vem investindo em melhorias com os poucos recursos que recebe. Cabe aos gestores do Sistema de Saúde a responsabilidade em evitar situações como esta, buscando investimentos e adequações nos serviços de saúde'', concluiu.
A situação de superlotação nas unidades continuou ontem sem alteração. No Hospital Universitário (HU), que dispõe de 18 leitos, a lotação era de 24 bebês 13 na UCI e 11 na UTI. No Hospital Evangélico, que tem 18 vagas, haviam 21 bebês internados no meio da tarde. No Hospital Infantil, administrado pela Santa Casa, todos os 10 leitos estavam ocupados.
A assessoria da Santa Casa disse que a suspensão das cirurgias pediátricas e o atendimento do pronto-socorro no Infantil estava mantida. Esses serviços foram suspensos depois do rompimento de um convênio mantido com a Secretaria Municipal de Saúde, que repassava ao hospital R$ 60 mil mensais para cobrir os custos com os plantões.

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