Vigilância vai investigar morte de bebês
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quarta-feira, 19 de junho de 2002
Marta Medeiros<BR>Equipe da Folha 
Sarandi - A morte do recém-nascido Pedro Henrique da Silva Faria, de oito dias, ontem em Sarandi (7 km de Maringá) além de demonstrar a falta de vagas em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) pediátricas vai exigir também uma investigação epidemiológica no município. É o terceiro bebê de Sarandi morto esta semana. O município com cerca de 80 mil habitantes não dispõe de leitos em UTI infantil e os pacientes dependem de vagas em hospitais da região e principalmente do Hospital Universitário (HU) de Maringá. Além disso, o sistema público de saúde é precário para casos que demandam atendimento de alta complexidade.
Segundo o secretário de Saúde de Sarandi, Valdo Antonio de Oliveira Boanova, a Vigilância Epidemiológica vai intensificar a partir de hoje as investigações sobre a morte dos três bebês. Pode ser coincidência como também é possível a existência de algum ponto em comum na morte das crianças, afirmou Boanova. Dos três bebês, apenas Vitória Eduarda, 21 dias, conseguiu vaga na UTI pediátrica do HU de Maringá, mas horas depois morreu vítima de infecção generalizada. O bebê Diogo Felipe Carmo Costa, 22 dias, morto anteontem, também vítima de infecção generalizada em decorrência de uma gastroenterite, não conseguiu atendimento em UTI.
No caso de Pedro Henrique, a família não descobriu a causa da morte. O atestado de óbito apontou parada cardiorespiratória. A mãe de Pedro, a estudante Gisele Fernandes da Silva, 20 anos, contou que meia-hora depois de chegar no Pronto Socorro Municipal de Sarandi (PS), no início da madrugada de ontem, o bebê morreu. O médico disse que era necessário uma autópsia, mas o IML (Instituto Médico Legal) informou que não faria em recém-nascido, afirmou Gisele. A mãe contou também que o próprio médico demonstrou preocupação para a necessidade de uma investigação. No dia anterior, bebês já haviam morrido, disse a mãe.
Conforme Gisele, assim que o filho chegou no PS foi para o tubo de oxigênio. Quando o médico me disse que precisava de uma UTI fiquei desesperada porque já sabia dos casos da falta de vagas, disse a mãe. No enterro de Pedro Henrique os familiares estavam incorformados com a situação. Talvez nem uma UTI iria adiantar, mas é preciso que os hospitais tenham estrutura no momento em que se chega com um bebê passando mal, afirmou a avó da criança, Cristina Fernandes da Silva.


