Vigilância Sanitária interdita anticoncepcional nas farmácias
Agentes da Vigilância Sanitária de Londrina, divididos em seis equipes, iniciaram ontem a interdição cautelar do anticoncepcional Microvlar nas farmácias da Cidade. Segundo o Centro de Saneamento e Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual de Saúde, o produto está sendo interditado porque há denúncias de ocorrência de gravidez com suspeita de uso do medicamento. As cartelas apreendidas vão ficar nas próprias farmácias à disposição da Secretaria Estadual de Saúde e do laboratório.
As equipes da Vigilância devem fiscalizar distribuidoras, farmácias e drogarias. Até o final da tarde de ontem, ainda não havia um levantamento do número de estabelecimentos visitados nem do volume de cartelas interditadas. O trabalho deve continuar nos próximos dias.
O problema com o Microvlar, fabricado pelo laboratório Schering do Brasil Química e Farmacêutica Ltda., de São Paulo -, ocorreu durante teste para nova embalagem. Foram produzidas drágeas com placebo (farinha, sem nenhum efeito medicamentoso. O remédio foi desviado e vendido para distribuidoras, farmácias e drogarias. É possível, até, que haja cartelas de amostra grátis em consultório médicos, suspeita a Vigilância.
Josoé de CarvalhoNas farmáciasAgentes da Vigilância iniciaram a fiscalização em Londrina; produto é lacrado e fica nas farmáciasAnteontem, o ministro da Saúde, José Serra, determinou a interdição, por um prazo de cinco dias úteis, do laboratório Schering. É uma medida cautelar para garantir a inspeção da Vigilância Sanitária em todo o sistema de controle e descarte de produtos do laboratório. Com a inspeção, o ministro pretende identificar possíveis falsificações de medicamentos, furtos e outros atos ilícitos no laboratório.
A decisão decorre da denúncia feita por quatro mulheres de São Paulo
que usavam o anticoncepcional Microvlar e que engravidaram. A denúncia levou o Ministério a investigar e identificar fragilidades no sistema de controle interno do laboratório. Junto com a inspeção, Serra vai exigir que essas deficiências sejam imediatamente corrigidas.
A Câmara dos Deputados também aprovou projeto de lei do ministro Serra que altera o Código Penal com relação aos crimes contra a saúde pública. O projeto prevê mais rigor nas penas - que podem ser de até 15 anos - e torna esses crimes inafiançáveis. O projeto vai a votação no Senado e, em seguida, para
sanção do presidente Fernando Henrique Cardoso.Josoé de CarvalhoLaboratório
que produz o
Microvlar também
foi interditadoÁureo Nogueira
e Agência Saúde





