Vigilância monitora qualidade da água
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sexta-feira, 04 de fevereiro de 2005
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
Técnicos da Vigilância Sanitária de Londrina retomam na próxima semana o cadastramento de poços, minas e fontes de água do município. O mapeamento faz parte do Sistema de Informação em Vigilância da Qualidade da Água de Consumo Humano (Sisagua), um programa do Ministério da Saúde em parceria com os municípios, que pretende analisar a qualidade do líquido ingerido pelos brasileiros.
Em Londrina, o monitoramento começou em outubro de 2004, pela zona rural. ''Temos o registro de quase 50 pontos, mas apenas 50% deles foram analisados'', explica o gerente da Vigilância Sanitária, Marcelo Viana Castro. Como todos os testes são realizados pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), o cadastro foi interrompido no mês de janeiro, pois a instituição estava em férias.
Castro não soube precisar quantas fontes estão contaminadas, mas garantiu que a maioria apresentava boas condições. ''Nós avaliamos se o local está protegido. Se estiver inadequado damos um prazo para os moradores adaptarem a estrutura'', declarou o gerente. Ele ressaltou que o mais importante é evitar que as pessoas bebam água imprópria.
A artesã Maria José Teixeira Lopes, de 54 anos, presenciou em casa os perigos da contaminação. ''Há quatro meses, minha neta de oito anos teve hepatite A. E me disseram que poderia ser por causa da água'', relembrou. A artesã mora no Patrimônio Selva, Zona Sul de Londrina, e utiliza a água de um poço desde que mudou para o local, em 1988.
Há pouco menos de um mês a Vigilância esteve na casa de Maria e coletou amostras do líquido. O resultado foi um número de coliformes fecais e sujeiras além do permitido. ''Desde que eles estiveram aqui, eu comprei um filtro novo e fervo a água'', disse a artesã. Ela garantiu que o poço é lavado todo o ano. No total, sete pessoas bebem aquela água.
Doenças causadas por bactérias e verminoses também podem ser resultado do consumo de água contaminada. ''A presença de coliformes fecais pode ocorrer devido a proximidade com uma fossa ou até mesmo pela falta de proteção do local. O que permite o contato com animais'', contou Castro.
Os técnicos não têm previsão para terminar o mapeamento da zona rural. ''Vamos analisar se há a possibilidade de iniciar os trabalhos na cidade antes de concluir os distritos'', afirmou Castro. O gerente acredita que na periferia de Londrina o número de fontes contaminadas seja bem maior que da zona rural.


