Vigilância investiga empresa curitibana
A Joãomed Comércio de Materiais Cirúrgicos, de Curitiba, foi intimada a apresentar em cinco dias úteis uma relação detalhada de todo o material que está armazenado nos cinco depósitos clandestinos da empresa. Os depósitos foram lacrados pela Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal da Saúde, no dia 1º de julho, durante uma blitz realizada para apurar a denúncia anônima de que a empresa guardava medicamentos de forma irregular na Vila Fanny.
Ontem, uma operação conjunta para a verificação do estoque foi montada por técnicos da Vigilância Sanitária, Receita Estadual e Delegacia de Crimes Contra o Consumidor (Delcon), mas por causa da grande quantidade de produtos no local, os técnicos optaram por delegar esse trabalho aos funcionários da empresa, sob a supervisão da fiscalização. Será realizada uma separação por lotes dos tipos de produtos, que vai facilitar a análise que vai acontecer depois com a documentação apresentada pelos responsáveis, disse a coordenadora da operação, Simone Mazur. A coordenadora informou que os técnicos vão recolher amostras dos medicamentos encontrados para a realização de laudos sobre a procedência e qualidade para uso e consumo.
O representante da Receita Estadual, Ari Rossini, informou que o seu interesse é principalmente sobre a existência de nota fiscal de compra dos produtos nacionais e sobre a forma em que os importados entraram no País. Vamos apurar se esse material possui origem idônea, disse. Os fiscais informaram que ainda não foi descartada a hipótese da existência de prática da receptação de medicamentos e materiais cirúrgicos na empresa.
Os principais problemas encontrados no depósito pela fiscalização são a falta de licença para a venda de medicamentos, a existência do depósito clandestino, o armazenamento irregular das mercadorias, a existência de medicamentos vencidos e de produtos sem a licença junto ao Ministério da Saúde.
Segundo a coordenadora Simone Mazur, o que mais chamou a atenção dos técnicos na vistoria foi a falta de higiene e cuidado na armazenagem dos produtos. Muitas caixas de escalpos (agulha com cânula para aplicação de soro) estavam próximas a uma janela quebrada, e acabaram sendo contaminadas pela umidade. Em outra sala, havia veneno contra ratos espalhado pelo chão, com a possibilidade de contaminação dos produtos guardados no local. Esse material está guardado exposto à luz, calor e umidade, o que contribui com certeza para a deterioração, disse Simone.
O proprietário da empresa, Gersino Elias Gessele, que está com prisão preventiva decretada, não estava no local. Todo o trabalho foi acompanhado pelo funcionário da empresa Dirceu Wolochen, que informou que o estoque da empresa foi colocado nesses barracões por falta de espaço. As vendas começaram a crescer e começou a faltar lugar para guardar o material, disse.
A empresa está interditada cautelarmente pela Vigilância Sanitária e pode ser fechada definitivamente. Tudo vai depender das conclusões do processo administrativo sanitário que está em andamento. A Receita Estadual e a Delegacia de Crimes Contra o Consumidor também investigam a empresa.





