A sabotagem ocorrida na rede em implantação para transmitir a energia que será gerada pela hidrelétrica de Salto Caxias, no Rio Iguaçu, reforça a necessidade de empresas concessionárias do setor ‘‘de repensar o sistema de vigilância sobre estas estruturas’’. É o que admitiu ontem o engenheiro João Landi de Souza Mello, gerente de linhas de transmissão da Copel, ouvido em Curitiba por telefone pela Folha. A sabotagem, de autoria desconhecida, resultou na queda de duas torres de uma das linhas que será utilizada por Salto Caxias.
A sabotagem ocorreu no final da semana passada e está sendo investigada pela polícia. João Landi de Souza Mello observou que este crime soma-se a uma tentativa e a um atentado concretizado, com explosão em torres do sistema Itaipu/Furnas. O próprio ministro das Minas e Energia, Raimundo Brito, em recente visita ao canteiro de obras de Salto Caxias, lamentou que o esforço para geração de energia feito pelo País ‘‘possa ser comprometido na ponta, que é a linha de transmissão, com um absurdo ato de sabotagem’’.
Segundo o gerente, quem sabotou a linha da Copel no município de Sulina, Sudoeste do estado, ‘‘tem conhecimento da estrutura das redes’’, porque cortou apenas um dos esticadores dos quatro cabos que sustentavam cada uma das duas torres, o suficiente para fazê-la desabar. O prejuízo é estimado em R$ 80 mil, mas a empreiteira que implanta as linhas de Caxias (a Camargo Corrêa) tem seguro.
As duas torres devem estar reerguidas na próxima semana. A linha tem 94 quilômetros de extensão, entre Caxias e Salto Santiago (da Eletrosul), e comporá o sistema integrado de abastecimento do País.
O engenheiro observa que a sabotagem ocorreu em um ponto afastado da zona rural, sem moradores próximos, ‘‘o que facilitou a ação’’. Mello relata que nas redes em implantação há apenas inspeção periódica, técnica, e ao longo da faixa de segurança de 50 metros no solo. Em redes que já operam, há vigilância ‘‘em locais de maior risco, como os próximos a cidades’’. Ele admitiu que, nos dois casos, ‘‘devido aos últimos acontecimentos, é recomendável reforçar a segurança’’. A Copel e a Polícia não fazem nenhuma especulação sobre a autoria e motivações da sabotagem.

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