A Vigilância Sanitária deu 30 dias de prazo para a Autarquia de Serviços Especiais (Acesf) de Londrina regularizar as condições de trabalho dos funcionários. A vistoria foi realizada após denúncias que funcionários fizeram à Folha na semana passada. Os funcionários reutilizam várias vezes o mesmo caixão de madeira na remoção de corpos putrefatos, pessoas falecidas por morte natural e acidentados. Como os caixões não podem ser perfeitamente higienizados, expõem os funcionários a doenças. Além disso, os servidores denunciaram que transportam cadáveres em carro sem divisória e trabalham sem equipamento completo de proteção.
O gerente da Vigilância, Marcelo Viana de Castro, informou que os técnicos recomendaram o uso do Equipamento de Proteção Individual (EPI) e a utilização de urnas de material lavável no traslado de corpos. Segundo Castro, os técnicos verificaram que a superintendência da Acesf já estaria tomando as providências necessárias. Passado o prazo de 30 dias, os técnicos realizarão nova vistoria. Mesmo sendo um órgão público, caso as normas sanitárias não forem cumpridas a Vigilância pode aplicar sanções administrativas, multar e recomendar a interdição.
A superintendente da Acesf, Cláudia Prochet, disse que está aguardando o laudo dos técnicos da Vigilância Sanitária, que pode ser emitido em uma semana. Durante a visita, segundo Cláudia, os técnicos constataram que as necessidades trabalhistas dos funcionários estão sendo atendidas ‘‘paulatinamente’’. De acordo com ela, a sala de preparação de corpos foi reformada e equipada de torneiras com pedal, para manter a higienização adequada. A licitação para compra de urnas com interior de zinco ou outro tipo de caixão lavável só será feita depois do laudo da Vigilância Sanitária.
O diretor do Instituto Médico-Legal (IML) de Londrina, Rogério Eisele, informou que na semana passada solicitou ao governo do Estado a volta do convênio com a Acesf. De 1984 até o ano passado os funcionários da Acesf utilizavam o camburão do IML, que tem gavetas apropriadas para trasladar pessoas falecidas por morte violenta. Com a parceria, o IML cederia o carro e a Acesf disponibilizaria funcionários e combustível para o transporte.

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