Vigilância apura irregularidades em asilo
Paulo Ubiratan
De Londrina
A Vigilância Sanitária de Londrina abriu ontem à tarde inquérito administrativo para apurar irregularidades contra a direção do asilo Casa de Repouso, na Rua Via Láctea, 44, Jardim do Sol (zona oeste). No local que não possui alvará de funcionamento foram encontrados 10 homens e 6 mulheres com idade entre 70 e 91 anos. A entidade também é acusada de não possuir uma forma adequada de registro dos internos. As proprietárias do asilo, Jacira Lima e Maria Aparecida Walter, negaram qualquer irregularidade alegando que apenas procuram ajudar os idosos.
Se apuradas as irregularidades, o local poderá ser fechado, interditado ou as proprietárias serão multadas. A entidade funciona há três anos sem licença. A Vigilância Sanitária prometeu para a próxima semana concluir o inquérito administrativo.
Pelo que apuramos a entidade não possui um sistema burocrático adequado de registro dos pacientes. Fora isto, as informações passadas pelas proprietárias da Casa de Repouso entram em desencontro com as dadas pelos internos, afirmou a enfermeira Giani dos Santos, da Vigilância Sanitária. Os desencontros nas informações iniciam pelos preços das mensalidades cobradas. Segundo a enfermeira, a direção da casa de repouso alegou que a mensalidade cobrada não passa de um salário mínimo por interno. Mas os idosos e seus familiares afirmam que pagavam R$ 250,00 por mês.
A fiscalização àquela entidade foi motivada por denúncia recebida pela Secretaria Municipal dos Idosos de que o interno João Coronado teria morrido naquele local. A representante da Secretaria Municipal dos Idosos, Maria Santini, acompanhou a fiscalização e tentou levantar alguma coisa sobre a morte do idoso. Elas (as proprietárias) estão dificultando nosso trabalho, sonegando informações. Até o nome do idoso elas haviam se negado a nos informar, disse Maria Santini.
As duas proprietárias disseram que nada devem, pois fazem um trabalho filantrópico e honesto procurando ajudar os idosos. Recolhemos pessoas das ruas, somos solicitadas a abrigar gratuitamente idosos indigentes de diversas secretarias de Ação Social da região, inclusive de Londrina. Não entendo tanta exigência em cima de nós, desabafou uma das proprietárias, Jacira Lima.
Ela disse, sem especificar o local, que conhece diversos abrigos de idosos sem as mínimas condições e que no entanto não são molestados pelas autoridades. Jacira Lima prometeu denunciar oficialmente estas entidades na próxima semana. Ela enfatizou que já havia trabalhado um ano e meio com idosos em outro endereço, quando também foi perseguida pela Vigilância Sanitária.
A outra proprietária da Casa de Repouso, Maria Walter, demorou mais de uma hora para assinar o termo de infração, que dará abertura do inquérito administrativo. Não sei porque todo este espalhafato com a imprensa presente para acompanhar a vistoria da Vigilância Sanitária. De uma rotina a vistoria virou um escândalo sem necessidade, contestou Maria Walter. Ela não se conformou de estar sendo denunciada por coisa corriqueira, enquanto a higiene e o tratamento com os idosos foram dados como satisfatórios pela fiscalização. Na ocasião da vistoria, quatro estudantes de nutrição estavam na cozinha do asilo preparando cardápio para o regime alimentar dos idosos.Casa de Repouso localizada no Jardim do Sol é acusada de funcionar há três anos sem alvará e não manter registro adequado
Mário CésarMário CésarFISCALIZAÇÃOGiani dos Santos, da Vigilância Sanitária, conversa com as proprietárias do asilo, Jacira Lima e Maria Walter (ao lado). Dezesseis idosos vivem na entidade (acima)





