Vigilância Ambiental recolhe 504 escorpiões em Londrina
De janeiro até esta sexta-feira (11), o CIATox do HU atendeu 200 casos de picadas de escorpião no município
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de novembro de 2022
De janeiro até esta sexta-feira (11), o CIATox do HU atendeu 200 casos de picadas de escorpião no município
Micaela Orikasa - Grupo Folha 

Situações envolvendo animais peçonhentos em Londrina, principalmente com escorpiões, aumentam neste período do ano. De acordo com a Vigilância Ambiental do município, desde o início deste ano foram coletados 504 escorpiões e o CIATox (Centro de Informações e Assistência Toxicológicas) do HU/UEL (Universidade Estadual de Londrina) já registrou 200 casos de picadas de escorpião na cidade.
Segundo o agente de endemias Mario Inácio da Silva, da Vigilância Ambiental do município, as equipes realizaram 708 visitas técnicas em todas as regiões da cidade, desde o início do ano. “Hoje, não temos uma região específica com maior incidência. É a cidade toda. E em boa parte das casas encontramos os escorpiões em meio a rachaduras, em espaços de obras inacabadas, madeiras e entulhos acumulados nos quintais”, afirma. Ele esteve presente na sessão da Câmara de Vereadores de Londrina na quinta-feira (10), apresentando os dados da Vigilância Ambiental relacionados a esses animais.
De acordo com ele, o surgimento de escorpiões é maior neste período do ano devido à situação climática, com dias muito quentes e chuvosos. “O escorpião amarelo é um animal que se adaptou muito vem ao perímetro urbano e na primavera ele se torna mais ativo, procurando alimento, principalmente baratas, além de abrigo”, diz.

Silva destaca também que a espécie não precisa do macho para se reproduzir. “Cada fêmea tem de duas a três gestações por ano, gerando de 20 a 30 filhotes por vez. Em um ano, o filhote se torna adulto e começa a reproduzir”, explica.
De acordo com o coordenador do CIATox em Londrina, Camilo Molino Guidoni, pela adaptação da espécie no ambiente doméstico, a maioria dos acidentes com escorpiões amarelos acontece em casa. Ele comenta também que é comum o animal ser encontrado em outras épocas do ano.
TRATAMENTO
Em relação ao tratamento, Guidoni explica que depende da gravidade dos casos. “A maioria dos casos é leve, mas pode ter gravidade em crianças e idosos, que são as faixas mais preocupantes. Geralmente, o tratamento é sintomático. O paciente permanece em observação no serviço público por seis horas e, se estiver assintomático, é liberado após esse período. Em casos graves, é possível administrar medicamentos mais potentes, conforme avaliação médica. Por isso, é importante ter a descrição, uma imagem ou o animal armazenado em um recipiente, para facilitar a identificação e o tratamento”, detalha.
Em caso de acidente com animal peçonhento, deve-se lavar o local com água e procurar o serviço médico imediatamente. A Vigilância Ambiental orienta também a população a entrar em contato com o órgão, diante da constatação de um animal em casa. “Uma equipe fará uma visita técnica e orientará os moradores sobre os cuidados e adequações no ambiente para evitar acidentes. Se conseguirmos capturar o animal, podemos fazer a taxinomia e avaliar a espécie”, diz.

NOTIFICAÇÕES NO PR
Em todo o Estado, as cidades que mais registraram acidentes com escorpiões desde 2007 são: Ponta Grossa, com 3.890 registros, seguindo de Maringá (1.648); colorado (1.414); Bandeirantes (1.174); Paranavaí (841); Loanda (755) e Londrina (753). Em 2022, o CIATox não registrou óbito por picado de escorpião no Estado. Como a unidade atende pacientes de todo o Paraná, o número de registros por picadas de escorpião chega a 741, de janeiro até esta sexta-feira (11).
Em Londrina, entre 2010 e 2022, foram encaminhados um total de 5.462 casos para o Sinap (Sistema de Notificação de Animais Peçonhentos), de acordo com a Vigilância Ambiental. Os registros incluem picadas por aranhas, lagartas, serpentes, entre outros.
ANIMAIS PEÇONHENTOS
Os animais peçonhentos são aqueles que produzem veneno e têm condições naturais para injetá-lo em presas ou predadores através de dentes modificados, aguilhão, ferrão, quelíceras, cerdas urticantes, nematocistos entre outros. no Paraná, os animais peçonhentos que mais causam acidentes são: jararaca, cobra coral, aranha (marrom, armadeira) e escorpiões, de acordo com a Sesa (Secretaria de Estado da Saúde).
ESCORPIÕES
A maioria dos acidentes com escorpiões é leve e o quadro local tem início rápido e duração limitada. Os adultos apresentam dor imediata, vermelhidão e inchaço leve por acúmulo de líquido, piloereção (pelos em pé) e sudorese (suor) localizadas, cujo tratamento é sintomático.
Já em crianças abaixo de 7 anos pode haver maior risco de alterações sistêmicas nas picadas por escorpião-amarelo, que podem levar a casos graves e requerem soroterapia específica em tempo adequado.

Em caso de acidente, limpe o local com água e sabão, aplique compressa morna no local e procure orientação médica imediata e mais próxima do local da ocorrência. Se for possível, capture o animal e leve-o ao serviço de saúde.
A pessoa que for picada por um escorpião não deve amarrar ou fazer torniquete no local e não deve aplicar qualquer tipo de substância sobre o local da picada como, por exemplo, ervas, álcool, fumo, urina), nem fazer curativos que fechem a ferida para evitar a ocorrência de infecções.
Também não se deve cortar, perfurar ou queimar o local da picada. A pessoa picada não deve ingerir bebidas alcóolicas, pois não tem efeito contra o veneno e pode agravar o quadro.
SERPENTES
Ao ser picada por uma jararaca, a pessoa pode apresentar dor, inchaço, manchas arroxeadas no local da picada, sangramento pelos pontos da picada, também em gengivas, pele e urina. Já em casos de cobra coral, os sintomas podem envolver dor de intensidade variável no local da picada, visão borrada ou dupla, pálpebras caídas e aspecto sonolento.
Neste tipo de acidente, a orientação é lavar o local da picada apenas com água ou com água e sabão, manter o paciente deitado e hidratado e procurar o serviço médico mais próximo. Também é recomendado, se possível, levar o animal para identificação. Em acidentes com serpentes, não se deve fazer torniquete ou garrote, não cortar o local da picada, nem perfurar ao redor da ferida. Também não se deve colocar folhas, pó de café ou outros contaminantes e nem ingerir bebidas alcóolica ou outros tóxicos.
ARANHAS
A picada da aranha-marrom é pouco dolorosa e uma lesão endurecida e escura costuma surgir horas depois, podendo evoluir para ferida com necrose de difícil cicatrização. Em casos raros, pode ocorrer o escurecimento da urina. Já na picada da aranha-armadeira, os sintomas são dor imediata e intensa, com poucos sinais visíveis no local. Raramente pode ocorrer agitação, náuseas, vômitos e diminuição da pressão sanguínea.
Diante de um acidente com aranha, a pessoa deve lavar o local da picada, usar compressas mornas, que ajudam no alívio da dor, elevar o loca da picada e procurar o serviço médico mais próximo. Se possível, levar o animal ou uma fotografia para identificação. Assim como nos casos de picadas de escorpiões e serpentes, a pessoa não deve fazer torniquete ou garrote, NEM aplicar folhas, pó de café ou terra, para não provocar infecções e não ingerir bebida alcóolica.
CUIDADOS
Animais peçonhentos gostam de ambientes quentes e úmidos e são encontrados em matas fechadas, trilhas e próximo a residências com lixo acumulado. Manter a higiene e limpeza dos ambientes é fundamental, uma vez que lixo e entulhos podem servir de abrigo para muitos destes animais, além de funcionarem como chamariz para alimentação.
Moradores de área rural e trabalhadores da agricultura não podem deixar de usar luvas e botas ao entrar em matas ou plantações. (Com Sesa)
SERVIÇO: Para mais informações, o CIATox/PR atende pelo 08000 410148 e o CIATox Londrina, pelo fone: (43) 3371-2244 (24 horas).
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