Vigilância aguarda relatórios sobre próteses
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sábado, 14 de janeiro de 2012
Silvana Leão <br> <br> Reportagem Local 
Começam a vencer na próxima semana os prazos dados pela Vigilância Sanitária aos oito cirurgiões plásticos de Londrina que utilizaram próteses mamárias da marca Poly Implant Prothese (PIP) para que apresentem relatórios sobre as condições de saúde de suas pacientes. Segundo os6 dados levantados pela Vigilância, cerca de 450 próteses da indústria francesa - acusada de utilizar silicone industrial no lugar do gel de silicone de alta coesividade - foram implantadas na cidade.
''Um levantamento prévio aponta que todos estes implantes foram realizados antes da proibição do uso da marca no Brasil, em abril de 2010. Em alguns casos, inclusive, já foram feitas as substituições, motivadas por queixas das pacientes'', informa o coodernador local da Vigilância Sanitária, Rogério Lampe. Ele observa, porém, que não há nenhum registro de ruptura do envelope que envolve a prótese, principal risco oferecido pelos produtos de qualidade inferior.
Alerta
Para o cirurgião plástico Álvaro Fagotti Filho, esta possibilidade de ruptura abriu caminho para um tipo de preocupação que até então não existia, em se tratando das cirurgias de implante mamário. ''Até um tempo atrás não se falava no risco de rompimento, de tão remota que é esta possibilidade quando o implante é feito com o produto adequado. Nos preocupávamos mais com a contratura capsular, que acontece em cerca de 10% das mulheres nos 10 primeiros anos de colocação do implante, exigindo a sua substituição'', afirma. Segundo Fagotti, a contratura capsular é uma espécie de reação de defesa do organismo, que provoca a perda da elasticidade da cápsula que envolve o implante.
O médico argumenta que os problemas com as marca PIP e também com a holandesa Rofil servem ainda de alerta para a necessidade de questionamentos em relação às licenças emitidas pelos órgãos reguladores, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). ''Tínhamos total confiança nas marcas liberadas para comercialização. Agora teremos que ser ainda mais cuidadosos, levando em conta, por exemplo, o aval de organismos internacionais.''
O cirurgião plástico Flávio Nazima reconhece que é difícil para as pacientes decidirem entre uma e outra marca, já que a olho nu não há como perceber a diferença entre os materiais resultantes de um processo de maior refinamento e outros de menor qualidade. ''Por isso é muito importante escolher sempre profissionais capacitados, que sejam especialistas pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Submeter-se a um processo cirúrgico deve ser sempre algo muito bem pensado, sob orientação de um profissional capacitado e levando em conta vários aspectos, não apenas o preço cobrado ou o custo do material'', defende.
Recomendação
Os médicos ouvidos pela FOLHA concordam que não há motivo para pânico entre as mulheres que fizeram implante utilizando próteses da PIP e da Rofil, e que a decisão de fazer a substituição preventiva deve ser tomada entre médico e paciente. ''Cada caso é um caso. As condições de cada paciente e a necessidade ou não de troca devem ser avaliadas particularmente'', afirma Nazima. O cirurgião lembra, porém, que a substituição nos casos em que a prótese está íntegra é mais fácil e feita com um menor tempo de cirurgia.
A retirada preventiva das próteses foi recomendada pelo governo francês e pela Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética. Na última quinta-feira, porém, depois de se reunir com mastologistas e cirurgiões plásticos, o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, informou que o SUS e os planos de saúde irão custear apenas a troca dos implantes rompidos, tanto para as mulheres que tenham feito a cirurgia por questões de saúde como para aquelas que fizeram por motivos estéticos. Estima-se que 12,5 mil brasileiras usam implantes da PIP e 7 mil da Rofil.
De acordo com Barbano, 39 mulheres enviaram queixas à Anvisa de ruptura da prótese da PIP desde abril de 2010. Elas relataram dores e deformidade no implantes e, após exames, foi constatada a ruptura. As usuárias, segundo o diretor, já fizeram a troca do implante. Estudos mostram que não houve aumento na incidência de câncer de mama após os registros de problemas com as duas marcas de implante.


