Os distribuidores do Cogumelo do Sol Agaricus em Curitiba foram notificados na sexta-feira passada pela Vigilância Sanitária Municipal. Eles farão parte de um processo administrativo que tramitará na Secretaria Municipal de Saúde. Segundo a farmacêutica da Vigilância Sanitária Yumi Murakami, a publicidade veiculada faz indicação terapêutica do produto, registrado no Ministério da Saúde como alimento. ‘‘A propaganda não pode aconselhar o uso do cogumelo para tratar doenças’’, diz.
O professor de Farmacognosia (disciplina que estuda plantas medicinais) da UFPR, Cid Aimbiré de Moraes Santos, disse que a fórmula do Cogumelo do Sol não tem nenhum componente que possa combater o câncer. ‘‘A ação de um medicamento só pode ser comprovada depois de anos de pesquisas, que devem ser autorizadas e acompanhadas por uma comissão de ética médica credenciada junto ao Ministério da Saúde’’, disse.
Segundo o coordenador executivo da Associação de Defesa e Orientação do Cidadão (Adoc), Fernando Kosteski, a proposta do produto é complexa. Segundo o fabricante, pode fazer efeito ou não como complemento alimentar e até curar o câncer. O resultado depende do organismo de cada um, da doença e do tipo de vida do consumidor. Este tipo de publicidade, de acordo com ele, pode ser uma tentativa da empresa de não se comprometer caso o cliente não fique satisfeito. ‘‘Mesmo avisando que o efeito do produto é variável, o Código de Defesa do Consumidor determina que a empresa pode ser responsabilizada se o produto não cumprir o que propõe’’, disse.
O desespero de pacientes em estado grave, afirma Kosteski, pode contribuir para elevar as vendas da empresa, mas os consumidores devem ficar atentos à apresentação de resultados comprovados cientificamente.(A.V.)

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