Vigia se mata após degolar companheira
Mauricio Della Barba
De Londrina
Um crime hediondo chocou ontem os moradores do Residencial Itamaraty, localizado no jardim Interlagos, zona leste de Londrina. A auxiliar de nutrição Ivone de Moraes Fernandes, de 37 anos, foi encontrada morta e com a cabeça degolada juntamente com seu companheiro, o vigia Amaro Antônio do Mont, de 54 anos. A Polícia, que atendeu a ocorrência, suspeita que houve homicídio seguido de suicídio, praticado pelo próprio vigia.
De acordo com a versão relatada pelo filho mais velho de Ivone, Ederson Fernandes, de 19 anos, à delegada de plantão, Waldete Testoni, o crime ocorreu após uma discussão entre o casal. A disposição dos corpos encontrados indica que o crime foi passional, explicou a delegada.
Ivone, além da cabeça degolada, levou também uma facada no peito. Após o assassinato, Amaro teria desferido em si outras duas facadas na altura do coração. O corpo do vigia foi encontrado de bruços caído sobre o corpo de Ivone na cozinha do apartamento.
Apesar de não serem casados legalmente, Ivone e Amaro viviam juntos no mesmo apartamento há quase cinco meses. Ivone era separada e possuía, além de Ederson, outro filho de cinco anos, que morava com o pai em outra residência em Londrina. Ederson reside em Curitiba.
O crime ocorreu por volta da 22 horas de anteontem, quando Ederson e o irmão visitavam a mãe, que chorava no momento. O vigia obrigou os dois a sair do apartamento, alegando que iria conversar com Ivone. Do lado de fora, os filhos começaram a ouvir a discussão. Vizinhos do apartamento também ouviram os indícios da briga. Assustado com os gritos de apelo da mãe, Ederson pediu a presença da Polícia no local, que ao chegar constatou o assassinato.
Ontem, durante o velório, nenhum familiar de Ivone ou de Amaro quis dar declarações. Segundo alguns vizinhos, o casal era conhecido no residencial como sendo tranquilo e normal. Ele tinha um ciúme doentio dela e não deixava nem os filhos ficarem por perto. Acho que era por causa da diferença de idade entre eles, disse um dos vizinhos que preferiu não se identificar.
Ivone e Amaro eram funcionários do Hospital Universitário (HU). Amaro trabalhava como vigia no HU desde julho de 1981 e Ivone, como auxiliar de nutrição desde junho de 1993. A Polícia deverá ouvir os familiares e vizinhos para apurar a hipótese do homicídio seguido de suicídio.Crime ocorreu na zona leste de Londrina e chocou os moradores do Residencial Itamaraty, onde o casal morava; os dois trabalhavam no HU
ReproduçãoReproduçãoVÍTIMA E ACUSADOIvone Fernandes (ACIMA): gritos levaram os filhos a chamar a polícia. Amaro do Mont (ao lado): ciúme excessivo pode ter provocado a discussão





