Vigia mata assaltante e fere irmão menor
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sexta-feira, 04 de junho de 1999
Vivian de Albuquerque 
Tentando roubar um estoque de alimentos de uma escola estadual de Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, foi morto, na madrugada de ontem, o desempregado Marcos Tadeu do Nascimento, de 20 anos. Na semana passada, ele e o irmão, A.J.S.N, de 15 anos, já haviam invadido o Colégio Estadual Prefeito João Maria, levando vários sacos de alimento e dois botijões de gás. Como não foram descobertos, resolveram repetir a operação.
O único problema é que desta vez o vigia da escola, Roberto Aparecido Filho, impediu a ação. Marcos levou três tiros e morreu na hora. O irmão levou um tiro de raspão e até o final da tarde de ontem ainda estava detido na delegacia do município.
Nós só arrebentamos a porta e ele já chegou metendo bala, conta A.J.S.N. Eu tive tempo de correr, mas meu irmão não. Ele levou um tiro na barriga, caiu, e o vigia deu mais uma na cabeça e no braço dele, contou o menor.
Bastante abalada, a mãe, Eugênia de Sousa, de 42 anos, diz que desde que saiu do Educandário São Francisco, em Piraquara, onde ficou durante um ano e meio, por tráfico de drogas, o filho nunca conseguiu arranjar emprego. A situação ficou ainda mais complicada, quando Marcos resolveu morar com a mulher de 19 anos que está grávida.
Ele estava morando aqui mesmo no bairro, e volta e meia vinha pedir alguma coisa. Eu disse que ajudaria, mas me assustei quando vi aquele monte de alimento na casa dele, quando ele foi pela primeira vez ao colégio, conta Eugênia. Ele me disse que queria dar um tiro na cabeça, porque não aguentava mais passar fome e ficar sem um emprego.
Na casa dela, moram mais três filhos, todos desempregados. Ele só queria comida. Por isso acho que o irmão foi ajudar. Se ele tivesse entrado numa casa armado para roubar dinheiro ou outra coisa, eu daria até graças a Deus se ele levasse um tiro. Mas ele nem andava com arma. Estava só com uma picareta. Não precisava morrer, desabafa.
Eugênia e os cinco filhos vieram de Umuarama, no Noroeste, há alguns anos depois que ela se separou do marido. As dificuldades financeiras, segundo a mãe, empurraram os irmãos para o crime. Além de Marcos, A.J. também esteve internado no Educandário.
O vigia, Roberto Aparecido Filho, de 45 anos, fugiu do local e só deve se apresentar à polícia na próxima segunda-feira. Ontem o delegado de Campina Grande do Sul esteve no IML para tentar liberar o corpo de Marcos para o velório. Mas os legistas estão tendo dificuldades para localizar os três projéteis disparados pelo vigia.


