Vigia executa menor e fere mãe a tiros
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sexta-feira, 29 de junho de 2001
Lúcio Flávio MouraDe Londrina 
A Polícia Civil de Londrina está procurando o vigia Beni Rodrigues de Castro, 26 anos, conhecido como Satanás, integrante da Frente de Trabalho da prefeitura e um dos responsávelis pela segurança no Terminal Urbano Milton Gavetti, na zona norte. Ele é acusado de executar a adolescente Daniela Cordeiro dos Santos, 15 anos, e tentar matar a mãe da menina, a doméstica desempregada Cleuza Aparecida Batista Cordeiro, 44 anos, na noite de anteontem na casa das vítimas, no Assentamento São Jorge, zona norte.
A adolescente, vítima de um tiro fatal no peito, foi sepultada no final da tarde de ontem em clima de grande comoção. Não volto mais para lá. Estou ameaçada. Se voltar, morro. Falta policiamento e até criança anda armada. Tem dias que a gente acorda com alguém praticando tiro ao alvo na rua, desabafou Cleuza, que foi ferida com três tiros na perna direita. Quando ele foi mirar avancei na mão dele, o que acabou me salvando a vida, disse ainda assustada com sua própria coragem.
O delegado Jorge Barbosa, do 5º Distrito Policial, não tem dúvidas que Satanás é o autor do homicídio. Temos uma testemunha ocular e o depoimento de sua amásia, que confirmou que ele comentou este assassinato e outro, cometido há 20 dias, relatou. O vigia quase foi preso, horas depois do crime, quando estava dormindo em sua casa. Ele percebeu a movimentação estranha e fugiu pelo telhado, na parte dos fundos do barraco.
Satanás é o principal suspeito de ter matado o servente João Simão Ferreira, no último dia 5, executado a tiros sob a justificativa de que teria estuprado uma adolescente que mora no bairro. Sua companheira, Neuza Leite de Souza, disse a polícia que ouviu ele admitir os dois crimes a outras pessoas.
Na noite de anteontem, irritado com as ameaças da adolescente, que insistia em dizer que o entregaria a polícia se ele continuasse furtando vacas de uma propriedade rural vizinha do bairro, Satanás tentou desligar a energia do barraco e invadi-lo, quando foi surpreendido pela adolescente, que assistia TV. Ao sair do barraco acompanhada da mãe, Daniela foi baleada. Em seguida, o alvo foi a mãe, que ainda conseguiu se defender. Depois do crime, o vigia fugiu a pé. Ela gostava das coisas certinhas e pagou por isso, lamentou a mãe. No São Jorge, quem fala alguma coisa vai parar no cemitério.


