Vigia diz que foi coagido a depor contra acusados
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segunda-feira, 20 de abril de 1998
Guilherme Pupo 
Marcelo AlmeidaIrineu disse que estava internado na Santa Casa no dia do crimeO aposentado Irineu Wenceslau de Oliveira, de 73 anos, negou ontem no Fórum de São José dos Pinhais que tivesse visto os acusados pela morte de Evandro Ramos Caetano no dia do desaparecimento do garoto. Irineu de Oliveira, que prestou depoimento ontem à tarde como testemunha de defesa, era o vigia da serraria onde teria ocorrido o crime em Guaratuba, em abril de 1992.
Ele afirmou ter sido coagido pela polícia a prestar um depoimento contra Celina e Beatriz Abagge e os outros cinco acusados pela morte de Evandro. O ex-guardião disse que estava internado na Santa Casa de Guaratuba nos dias 6 e 7 de abril de 1992 (o crime teria ocorrido no dia 7), devido a uma intoxicação alimentar.
Oliveira disse ter visto apenas uma sessão de umbanda com a participação de Celina e Beatriz no interior da serraria, mas sem a realização de sacrifícios.
Sobre o bloco de alvenaria manchado de sangue encontrado no interior da serraria, Irineu de Oliveira disse que a mancha poderia ter sido provocada por Augusto Soares, um bêbado que teria dormido na serraria por duas noites alguns dias antes do desaparecimento de Evandro.
Segundo o advogado de defesa Antônio Figueiredo Basto, o depoimento de Irineu de Oliveira na época do crime foi o que mais contribuiu para a prisão de Celina e Beatriz Abagge. Ontem, o advogado disse que os depoimentos do delegado Luiz Carlos de Oliveira e do ex-guardião já eram suficientes para provar que Beatriz e Celina são inocentes. A defesa disse que poderia dispensar algumas testemunhas, mas até o final da tarde de ontem o promotor Celso Ribas não havia concordado com a dispensa.
Na manhã de ontem, prestou depoimento Maria José da Conceição, secretária pessoal de Celina Abagge na época do desaparecimento de Evandro. Ela contradisse o depoimento de Celina ao afirmar que já estava sabendo de uma festa no dia 7 de abril quando pegou uma carona com Celina. Em seu depoimento, Celina disse ter tomado conhecimento da festa apenas quando chegou em casa, após deixar Maria da Conceição em casa.


