Londrina

Dorico da SilvaTestemunhaJosé Fernando Januário (à dir.) depõe ao delegado Valter Lemos: carros estariam a mais de 120 km/hO delegado responsável pela Delegacia de Acidentes de Trânsito, Valter Martins Lemos, ouviu ontem de manhã mais uma testemunha do atropelamento e morte da estudante Vanessa Maia, 18 anos, que aconteceu na madrugada do dia 15. O vigia do motel Scala, José Fernando Januário, 24 anos, afirmou ao delegado que viu um Gol e um Escort disputando um racha na avenida Tiradentes (zona oeste), onde aconteceu o atropelamento.
A estudante foi atropelada por Marcelo Matos Coutinho, 21 anos, e morreu no local. Tanto ele como o motorista do Escort, o autônomo Edmar Mattos, 23 anos, negam que estivessem participando de um racha, como afirmam algumas testemunhas.
Em seu depoimento, o vigia do motel disse que estava de costas para a avenida, mas ouviu barulho de veículos acelerando, como se estivessem disputando um racha. Segundo Januário, naquela hora, poucos veículos costumam trafegar pela via.
Ainda de acordo com o vigia, ele ouviu um barulho forte, virou-se e viu que uma jovem havia sido atropelada. Segundo ele, os dois veículos que estariam disputando um racha, um Gol e um Escort, continuaram em alta velocidade e não pararam para socorrer a vítima. De acordo com o delegado, o vigia disse que os dois veículos trafegavam a mais de 120 km/hora.
Em depoimento prestado anteontem, Mattos afirmou que apenas testemunhou o atropelamento, parou o carro, deu ré e perguntou a algumas pessoas se queriam ajuda. Ele confirmou que seu carro é turbinado, mas disse desconhecer que este procedimento é proibido. O autônomo disse que nunca disputou rachas.
O delegado pretende ouvir ainda mais cinco testemunhas. Ontem, ele oficiou o comando do Corpo de Bombeiros solicitando que o soldado Cícero, que parou para socorrer a vítima, prestasse depoimento hoje. O comando informou que o soldado está em Foz do Iguaçu, em licença especial, e voltará na próxima semana. Lemos quer ouvir também um mototaxista e um outro rapaz que ajudaram no socorro e dois amigos de Coutinho, que estavam no Gol. ‘‘É interessante colher depoimentos de todas as pessoas que estiveram no local’’, observa.
Para concluir o inquérito, o delegado espera ainda os laudos de levantamento do local do acidente e das vistorias do Gol e do Escort, que estão sendo realizadas pelo Instituto de Criminalística. Lemos aguarda ainda, do Instituto Médico Legal (IML), o laudo de necrópsia.

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