Vigia da UEL era foragido da Justiça
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terça-feira, 10 de janeiro de 2006
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
A Promotoria de Investigações Criminais (PIC) em Londrina cumpriu em dezembro um mandado de prisão contra Paulo Rodrigues Alves, 69 anos. Ele trabalhava como vigia no campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL) há 15 anos e foi preso no trabalho. Pesava contra ele uma acusação de homicídio cometido há quase duas décadas no município de Conselheiro Pena (MG).
A prisão aconteceu graças à denúncia feita de forma anônima por um rapaz que disse ser ligado a um grupo de pessoas em Minas Gerais que decidiu caçar o foragido da Justiça e informar às autoridades o paradeiro dele. De acordo com o denunciante, que conversou com a Folha por telefone, Alves é suspeito de ter matado a tiros, há cerca de 18 anos, o agricultor José Crispim na cidade de Conselheiro Pena, que fica próximo à divisa de Minas com Espírito Santo. ''Foi um crime bárbaro e a própria família prefere resguardar o sigilo. A vítima estava com uma criança no colo e o preso chegou e disparou. A criança caiu sobre o corpo do pai'', contou o rapaz.
O coordenador da PIC, Leonir Batisti, informou que Alves foi preso no campus da UEL e demonstrou preocupação em perder o emprego no qual estava trabalhando há 15 anos. O foragido argumentou que matou porque tinha medo de morrer, já que a família da vítima o estaria ameaçando de morte. Como o ex-vigia está se aproximando dos 70 anos, o promotor comentou que quando completar essa idade poderá conseguir um benefício legal que derruba a pena pela metade.
O temor do grupo que ajudou na captura do foragido é de que ele consiga fugir do 2º Distrito Policial antes de ser recambiado para Minas Gerais, já que o pedido de remoção ainda não chegou em Londrina. Após a prisão, o denunciante disse que já começaram a surgir comentários de ameaças de morte contra familiares da vítima. Ele apontou que a região de Conselheiro Pena é conhecida como muito perigosa por concentrar muitos matadores de aluguel. O rapaz contou que não tem nenhuma ligação com a família de Crispim e o grupo agiu movido por um sentimento de humanidade. ''Somos apenas solidário à crueldade que a família sofreu'', afirmou.
O diretor de seleção da pró-reitoria de Recursos Humanos da UEL, Paulo Roberto de Carvalho, esclareceu que o servidor ingressou na instituição em 1990. Por isso, continuou, não poderia responder por atos de gestões anteriores. Por outro lado, assegurou que atualmente todos os concursos realizados para ingresso na universidade exigem certidões de antecedentes criminais. ''Todo candidato está sujeito a apresentação de certidões negativas da Justiça Federal e Estadual e criminal do cartório distribuídor onde tenha residido nos últimos cinco anos. As certidões têm que ser expedidas até 60 dias antes da inscrição'', esclareceu o diretor.
Quando a certidão é positiva e fica demonstrada a existência de pendências na Justiça, o candidato não é excluído imediatamente. Sua situação é avaliada pela comissão de seleção. ''Temos uma série de cuidados a tomar, inclusive aquele de não incorrer numa postura preconceituosa com quem sofreu uma penalidade da Justiça'', concluiu Carvalho.


