Vigia ciumento põe fogo na ex-mulher
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segunda-feira, 25 de agosto de 1997
Cristine Pieske 
Curitiba
SinalVizinhos perceberam fumaça nos fundos da casa, apesar de Pinheiro ter tampado as janelas com colchões para não atrair a atençãoUm homem e uma mulher sofreram queimaduras de terceiro grau ontem durante uma briga do casal, no bairro Umbará, em Curitiba. Depois de discutir com a ex-mulher, que estaria se negando a reatar o relacionamento, o vigia Edson Pinheiro, de 55 anos, teria espalhado gasolina pela casa e ateado fogo em seguida. Segundo os vizinhos, o vigia teria dito que, já que a manicure Euza Pereira dos Santos não queria voltar a viver com ele, ambos deveriam morrer. O casal foi socorrido pelos bombeiros e está internado em estado grave na ala de queimados do Hospital Evangélico.
Os vizinhos contam que desconfiaram que algo anormal estaria acontecendo no início da manhã, quando ouviram o choro da neta de um ano da manicure, que costumava passar o dia com a avó. Uma das vizinhas chegou a ver o momento em que Edson Pinheiro abriu a janela e colocou a menina do lado de fora da casa. Alguns minutos depois, os moradores perceberam os primeiros sinais de fumaça.
O cheiro forte de gasolina também chamou a atenção. Antes mesmo da chegada dos bombeiros, os moradores arrombaram a porta dos fundos da casa e encontraram o casal caído no chão e já em chamas. Os dois tinham fios elétricos amarrados no pesçoco. Segundo uma das vizinhas, o vigia teria tampado as janelas com colchões e lençóis para não chamar a atenção dos vizinhos.
Quando os bombeiros chegaram, Pinheiro e Euza ainda estavam gemendo. O vigia teve queimaduras de terceiro grau em 45% do corpo, principalmente no rosto, pernas, mãos e tronco. Euza, menos atingida, sofreu lesões em 30% do corpo. Eles foram retirados do local ainda conscientes, mas receberam altas doses de sedativos para suportar a dor. Até o final da tarde de ontem, permaneciam em estado de coma induzido. Segundo os médicos, o estado dos dois é considerado extremamente grave.
O casal, que foi casado durante mais de um ano, estava separado há dois meses. Os vizinhos contam que as brigas entre os dois eram comuns, e que Pinheiro sempre ameaçava Euza de morte. O maior conflito aconteceu há cerca de um mês, quando a manicure teria passado a casa onde vivia para o nome de uma de suas filhas. Revoltado, Pinheiro teria dito que queimaria tudo caso ela não voltasse a viver com ele.


