Vigia baleado tenta recuperar a sensibilidade
Da Redação
Marcos BorgesO vigia José Antônio de Souza Leite, hoje aposentado por invalidez: tiro de calibre 45 nas costas após dominar um assaltanteOs assaltos a bancos, além de terem aumentado em quantidade, cresceram também em agressividade. Isto porque os assaltantes estão sempre armados com revólveres e pistolas de grosso calibre e, às vezes, com metralhadoras potentes e bombas, que ameaçam explodir nas agências lotadas de clientes e bancários. O risco de violência e vítimas, neste tipo de crime, é portanto constante.
No ano passado, dois assaltos terminaram em tragédias com vítimas. No dia 12 de setembro, o engenheiro civil Rubens Antônio Rodrigues, de 26 anos de idade, foi morto com um tiro de revólver calibre 38 na cabeça, quando retirava dinheiro do caixa eletrônico na agência centro do banco Bradesco. Até ontem, a polícia não havia encontrado o assassino e nem pistas dele.
Em 8 de julho, uma tentativa de assalto à agência do Banco do Brasil da avenida Higienópolis (área central) deixou o vigilante José Antônio de Souza Leite, de 27 anos, gravemente ferido. Ele foi atingido pelas costas por um tiro de revólver calibre 45. A bala atingiu as sétima e oitava vértebras da coluna cervical, deixando José Leite paraplégico. O projétil perfurou ainda o pulmão e o tórax do vigilante, que ficou dois dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa, sofreu várias cirúrgias e permaneceu internado naquele hospital por quase quatro meses.
Ficar o dia todo na cama ou nesta cadeira-de-rodas é uma agonia, é terrível. Principalmente porque eu era muito ativo: trabalhava o dia todo, estudava à noite no supletivo, aproveitava os fins de semana para cuidar da chácara onde morava, para andar de bicicleta, e gostava de passear com minha mulher e duas filhas menores pelas praças e nas margens do Lago Igapó, conta José Leite.
Ele perdeu a sensibilidade física na parte abaixo do estômago e não mexe as pernas e pés. Há alguma esperança do ex-vigilante voltar a sentir e movimentar estas partes do corpo, mas para isto ele necessita de sessões de fisioterapia por vários anos e um tratamento em hospital especializado. Ele não tem acesso a estes serviços por falta de recursos financeiros, apesar de garantir que recebeu tudo o que tinha direito da empresa de segurança em que trabalhava, do seguro, da Previdência Social - está aposentado por invalidez - e muito apoio, inclusive material, do Banco do Brasil, dos colegas de banco e do Sindicato dos Vigilantes de Londrina.
José Leite foi baleado porque reagiu à voz de assalto e imobilizou um dos quatro ladrões que estavam entrando na agência do BB. Houve um tiroteio, e os assaltantes fugiram sem levar nada. Na fuga, um dos assaltantes acertou um soco no queixo do vigilante, que caiu desmaiado. Segundo testemunhas, um assaltante atirou nele enquanto ele estava caído na calçada em frente ao banco. Ele só acordou horas depois, já na UTI da Santa Casa.
Os assaltantes que feriram o vigilante pertenciam a uma quadrilha especializada em assaltos a bancos e procurada há anos em Santa Catarina. Eles foram presos em Curitiba em setembro do ano passado e cumprem pena na Penitenciária Central do Estado, em Piraquara. São Ozélio de Oliveira - o líder - , João Pascoutto, Humberto de Souza e Reinaldo da Cunha.
Era muito perigoso trabalhar naquela agência, que já havia inclusive sido assaltada outras vezes, porque na hora do almoço só ficava um vigilante de plantão. Agora, parece que melhoraram as condições de trabalho. Infelizmente, foi necessário eu quase morrer para instalarem a porta eletrônica detectora de metais, critica José Leite. Se eu tivesse usando um colete à prova de balas, não estaria hoje aqui nesta cadeira-de-rodas.





