Vidas transformadas
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sábado, 14 de maio de 2011
Marian Trigueiros <br>Reportagem Local 
Se na igreja católica não há uma divisão muito visível, nas evangélicas o princípio da pluralidade e autonomia de interpretação é marcante. Tanto que ao percorrer uma das regiões mais populosas de Londrina não foi difícil encontrar dezenas de pequenas igrejas evangélicas, sobretudo, da ramificação pentecostal. Nas redondezas da Avenida Saul Elkind (Zona Norte), inúmeras denominações reúnem os fiéis que louvam o nome de Deus com entusiasmo. Uma delas, a Igreja Pentecostal Mundial de Jesus Cristo, com pouco menos de 20 metros quadrados, tinha vários seguidores numa noite de terça-feira.
O responsável, o pastor Dorival Teles de Oliveira, que prega há 11 anos, diz que a igreja tem cerca de 40 fiéis assíduos. ''Somos uma instituição pequena, que busca ajudar pessoas carentes e com vícios. Queremos levar o Evangelho para aqueles que necessitam de apoio espitual e salvar suas almas'', conta ele, acrescentando que se preocupa com o despreparo de pessoas e com a ilegalidade de outras igrejas. ''A fiscalização é muito precária. Mas, ainda assim, acho que existe preconceito e uma certa perseguição com as igrejas evangélicas.''
Participante da igreja há 14 anos, a artesã Josemara da Souza Nader, de 32 anos, é uma fiel ''convertida'' à religião evangélica. ''Comecei a frequentar a igreja porque precisava mudar de vida, pois bebia muito, usava drogas e já estava, inclusive, vendendo com meu marido. Depois que conheci a palavra de Deus na igreja evangélica, sinto uma alegria em meu coração que não encontrei em nenhuma outra religião'', diz ela, que hoje tem o marido e os filhos seguindo os mesmos passos.
Não muito longe dali, outra pequena unidade realizava seu culto com atividade de ''libertação dos males''. Um dos líderes coordenadores era o presbítero Isaías Tenório, que prega desde 1998 - cinco só na Igreja Pentecostal Cristo é Esperança, que tem 10 anos de existência. ''A religião evangélica surgiu na minha vida em 1995 e de lá para cá eu dou testemunho das transformações que aconteceram comigo. Aqui eu encontrei o apoio espiritual que precisava para largar o vício das drogas, sair da sarjeta e prosperar na vida'', comenta o missionário, dono de uma pequena empresa de fabricação de calçados.
O presbítero atesta que já viu a mudança acontecer com muitos outros evangélicos. ''Acredito que a religião evangélica tenha crescido nos últimos anos por trazer a palavra de Deus de uma forma muito mais acessível. Além disso, a manifestação do poder divino sobre nossas vidas é visível. As pessoas encontram nas igrejas o que não recebem do poder público'', defende entusiasmado.
Igreja para até 1,5 mil fiéis
O mesmo princípio, só que numa proporção bem maior, vigora na filial da Igreja Internacional da Graça de Deus, na região central. O pastor que coordena as atividades, Geraldo Caetano da Silva, diz que a capacidade da igreja é para 512 pessoas sentadas, mas o espaço - um antigo clube social - comporta mais de 1,5 mil. ''Sou uma pessoa usada por Deus para levar a palavra dele ao conhecimento de todo esse povo. Acredito que o crescimento da religião é fruto da descoberta da verdade pelas pessoas que estão sendo curadas de seus vícios e males, assim como eu fui'', afirma.
De acordo com o pastor, que há 15 anos prega na igreja, há muita gente despreparada usando o nome de Deus e isso acaba por prejudicar quem faz um trabalho sério. ''Abrir uma igreja, legalmente, pode até ser fácil, mas não é o correto. O certo é que se tenha autorização de uma denominação para iniciar, então, um novo ministério.''


