A vida parece estar banalizada. A tolerância tem sido mínima e, diante de qualquer adversidade, as pessoas partem para uma resposta desproporcional, agressiva. Muitos têm sido vítimas da falta de diálogo, ou o que a psicologia entende como falta de controle de impulsos.

No mês de abril alguns homicídios chamaram a atenção pelo motivo fútil. Anderson Rodrigues de Oliveira, 26 anos, é acusado de ter tirado a vida do irmão gêmeo Edimar. O crime aconteceu no dia 6. Segundo o delegado de Homicídios da 10 Subdivisão Policial, Paulo Henrique da Costa, testemunhas afirmam que os dois brigavam por causa de uma blusa. Em 12 de abril, Evandro Ignácio, 28, foi assassinado com quatro tiros pelo sobrinho de sua namorada, um adolescente de 14 anos. O crime aconteceu na Zona Leste. Em depoimento ao delegado, o menino disse, friamente, que estava cansado de ver Evandro discutindo com a tia e por isso teria resolvido tirar a vida dele.

Já no dia 13, o empréstimo de um aparelho de som desencadeou dois crimes. Alexandro dos Santos, 26, segundo a polícia, apunhalou Márcio Romero de Araújo, 19, com diversos golpes de faca quando foi cobrar a devolução do aparelho que havia emprestado. Semanas depois, Alexandro foi encontrado morto. O autor do crime confessou em depoimento ter matado Alexandro em vingança à morte de Márcio.

Há nove meses à frente da Delegacia de Homicídio, Costa afirma que dificilmente os assassinos demonstram qualquer tipo de sentimento em relação às vítimas. ''Eles chegam com o objetivo de se defenderem, em primeiro lugar. Não se preocupam com o que fizeram, mas, sim, com a liberdade e tentam amenizar a situação que causou o crime. A maioria é fria e percebemos que trata a vida do outro de forma banal'', diz.

Impulso

O professor do departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Alex Eduardo Gallo, explica que tirar a vida de alguém pode ser algo planejado ou por impulso do momento. Nos casos de mortes por banalidades, os crimes não são premeditados. Segundo ele, os criminosos se aproveitam do momento. ''O que torna o momento propício para uma morte desse tipo é a falta de controle de impulsos, ou seja, existe um motivo que provoca raiva, como o não pagamento de uma dívida, o descobrimento de um relacionamento amoroso, coisas ditas banais. No calor do momento, a pessoa acaba matando porque não parou para refletir o que estava fazendo'', explica.

Gallo, que também é pesquisador do Laboratório de Análise e Prevenção da Violência pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), diz que para algumas pessoas a vida é insignificante devido ao ''aprendizado'' de cada um. ''Estudos apontam que existem alguns fatores que aumentam a probabilidade de a pessoa responder a alguma situação de forma violenta. São os chamados fatores de risco para a violência, que podem surgir na família, na escola, na sociedade. Relações familiares baseadas na violência ensinam às crianças que o uso da violência é forma de resolução de conflitos'', aponta.

mockup