Vida saudável exige
travessia por seis fases
Para o psicólogo Ivan Capelatto, a criança precisa passar sem maiores problemas por seis fases para se tornar um adulto saudável: oral (0 a 18 meses), anal (18 meses aos 4 anos e meio), fálica (4 anos e meio a 6 anos), latência (dos 6 aos 11 anos), adolescência (a partir dos 11 anos – não há mais uma idade limite para se sair da adolescência) e por fim, a fase adulta.
Na oral, a criança reconhece o mundo através da boca, por isso a importância da chupeta e de a criança ser atendida sempre que chorar. Outro fator importante é que o bebê seja cuidado apenas por uma pessoa, já que ele não consegue estabelecer vínculo afetivo com mais de uma pessoa nessa fase.
A fase anal é considerada por Capelatto como ‘‘a mais perigosa’’. É quando a criança constrói sua primeira relação de identidade, e luta para se separar de seu ‘‘cuidador’’. O recurso utilizado por ela é dizer ‘‘não’’ para tudo. ‘‘A criança vai fazer a antítese, o outro lado do cuidador, para criar a noção de identidade’’, explica Capelatto. Ele diz que nesta fase é muito importante contar histórias para a criança, que terá ajuda para criar o superego e organizar as antíteses: bem e mal, morte e vida.
Na fase fálica, o cérebro começa a reconhecer os estímulos sexuais. ‘‘O cérebro da criança se organiza e começa a receber as mensagens do pênis e da vagina’’, explica. Também é na fase fálica que a criança começa a se relacionar afetivamente com os pais. Com a descoberta da afetividade vem o medo da perda e a criança começa a viver a ‘‘angústia do crescimento’’. É normal perguntarem sempre se a mãe vai voltar ao sair, se não vai esquecer de pegá-las na escola. ‘‘É importante que os pais sejam benevolentes quanto aos medos de seus filhos nesta fase’’, afirma.
A criança também começa a perguntar sobre como nasceu. A melhor resposta, de acordo com Capelatto, não deve ser a história da ‘‘sementinha que o pai colocou na mamãe’’. A criança não está perguntando como foi gerada, explica.‘‘Ela quer saber se saiu mesmo da sua mãe, então reposta é: você estava dentro da barriga da mamãe e o médico tirou você de lᒒ, complementa.
Dos seis aos 11 anos ocorre a fase da latência. É marcada pelo amor homossexual, também conhecido por homodirigido ou homoafetivo. O menino precisa entrar em contato com o mundo do pai, que deve falar sobre si mesmo, suas experiências. E a mãe deve ter o mesmo contato com a menina. É a fase da identificação com a pessoa adulta do mesmo sexo, que exige muito contato físico.
‘‘Os meninos correm o risco de ficar sem a identificação porque os pais têm medo de namorar seus filhos’’, afirma. No caso de pais ou mães que morreram, o recurso é mostrar muitas fotos e falar muito sobre eles neste período. Surgem também manias e medos ilógicos. ‘‘Tanto os medos e quanto as manias não devem ser tirados de nossos filhos. Se interrompidos nesta fase, voltam quando adultos. É só ver senhores com o dedo no nariz, por exemplo’’.
Superadas estas etapas vem a adolescência, que é a fase depressiva. Os primeiros sinais surgem através dos hormônios. ‘‘Ocorre a deformação do corpo, que gera insatisfação e sentimento de inferioridade que levam à angústia’’, diz Capelatto. Aí entra o papel fundamental de pais, educadores e de todos os envolvidos com jovens: escutar a angústia. (E.P)

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