Vida renascida após transplante
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terça-feira, 18 de agosto de 2009
Fernanda Borges<br> Reportagem Local 
A expressão alegre revela a saúde que aos poucos tem voltado ao normal. Nem parece que, há um ano, Daniel Hiroshi Aguiar, 9 anos, encontrava-se muito doente. Ele sorri, conversa bastante e, segundo a mãe, Neusa Tieco Suguiura, até já briga com os irmãos. Em outubro do ano passado o menino passou por uma cirurgia de transplante de medula óssea, em que o doador foi seu irmão, Mateus, de 7 anos. Na época, Daniel enfrentava uma aplasia medular ou anemia aplástica , doença que impede a medula de produzir sangue.
Quase um ano depois do transplante, Daniel, que mora com os pais e mais quatro irmãos na Zona Rural de Apucarana (Norte), vai semanalmente ao Hospital Universitário (HU) de Londrina para realizar exames e acompanhar a evolução do seu quadro, que tem melhorado a cada dia. A hematopediatra Denise Akemi Mashima, uma das médicas que o acompanha, lembra que na época do transplante o garoto apresentava outras complicações que quase impediram o procedimento. Porém, depois do transplante Daniel melhorou e a do-ença está estabilizada. Pelo menos por um ano ele continuará realizando exames e por enquanto não apresentou nenhum tipo de rejeição. Pelo que temos acompanhado ele está muito bem e deve continuar tomando medicamentos, completa.
Emocionada, a mãe ainda lembra quando os médicos anunciavam um quadro extremamente grave. A sensação de alívio apareceu quando a família recebeu a notícia de que dois de seus irmãos poderiam ser doadores. No começo eu não tinha dimensão da gravidade e achava que era fácil encontrar doador, mas depois, quando fui para Curitiba com ele pra fazer a cirurgia percebi que não é fácil. Me deparei com outras pessoas esperando, por isso eu fiquei extremamente feliz em saber que meus outros dois filhos podiam salvar a vida dele, comenta.
Tranquilo e sorridente, Daniel afirma não sentir nada, mas comenta que quer voltar para a escola. Eu estou na quarta série, não reprovei nenhum ano, diz, empolgado pelo fato de que a professora irá até a sua casa dar aulas até que ele possa retornar ao convívio de grande número de pessoas. Por enquanto, o menino precisa usar máscara, se alimentar bem, de preferência sem nada comprado fora de casa, como ressalta a mãe. Quando alguém pergunta se ele está bem, o Mateus sempre diz que sim, que foi graças a Deus, e logo emenda: Graças a Deus e a mim também, comenta a mãe, sorrindo.
Ajuda
As pessoas que precisam de transplante enfrentam o desafio de encontrar uma medula compatível, em um universo que pode ser de 1 a cada 100 mil, chegando até 1 milhão. Por isso existe o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), instalado no Instituto Nacional de Câncer (Inca), para organização de bancos de doadores de medula. Atualmente o órgão conta com mais de 300 mil doadores.
Em Londrina, o Hemocentro Regional realiza o cadastro de quem tem interesse em ser doador. Segundo a assistente social da unidade, Eliana Aparecida Palú Rodrigues, atualmente existem 28.866 cadastros feitos pelo HU e pelo menos três destas pessoas já foram doadoras. Estamos sempre precisando porque, ainda que possamos ter um grande número de cadastros, a compatibilidade é difícil de acontecer. Quanto mais pessoas dispostas a doar, melhor, diz.


