Vida nova, e melhor, depois dos 40 anos
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segunda-feira, 24 de julho de 2006
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Aos 40 anos, Célia voltou a estudar, a namorar e a dançar. Aos 40 anos, Tadeu voltou a sair para jantar e dançar com a esposa e se considera mais maduro e equilibrado para resolver problemas. Aos 40 anos, Celso organizou a vida, trabalha menos e revive momentos da adolescência com os filhos. Para estas três pessoas, tal qual o dito popular, a vida começou após os 40. Mas eles garantem: isto só é possível para quem tem estabilidade financeira, equilíbrio familiar e boas condições de saúde.
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população acima dos 40 anos subiu 37% no Paraná, entre 1991 e 2000, quando foram realizados os últimos censos demográficos no País. Em Londrina, este índice ficou em quase 9%. Em 2000, cerca de 31% dos londrinenses passavam da idade do renascimento. ''A população brasileira está envelhecendo, principalmente nos Estados do Sul e Sudeste. Isto acontece porque o número de filhos por casal tem diminuído nos últimos anos e os avanços da tecnologia médica permitem que se viva mais'', aponta o analista do IBGE, em Curitiba, Luis Alceu Paganotto.
Ele observa que há pouco mais de dez anos, a expectativa de vida no Brasil era de 65 anos, enquanto na atualidade a média é superior a 70 anos, sendo que entre as mulheres chega-se a 77 anos. ''A questão é que as pessoas ainda estão preocupadas em dar boas condições de saúde a esta faixa etária. Talvez fosse interessante pensar também em dar qualidade de vida através de serviços exclusivos. Até porque, se estas pessoas estiverem felizes, certamente precisarão de menos consultas médicas'', reflete.
O médico Celso Fernandes Júnior, 51 anos, concorda com Paganotto: a felicidade é a garantia de uma vida tranquila. ''Quarenta anos é a marca para que se comece um acompanhamento médico permanente. Diante disso, se não houver alegria, certamente ficará mais difícil'', sugere. Ele afirma que é essencial ter estabilidade financeira quando a idade começar a dar seus sinais, pois ela proverá uma tranquilidade maior para se educar os filhos. ''Se o casal chega aos 40 sem ter uma poupança, ou pelo menos um equilíbrio nas contas, a principal preocupação será sempre o dinheiro'', pressupõe.
Por isso ele defende que os filhos só devem chegar quando marido e mulher estiverem estáveis na profissão, posto que os novos pais estariam mais livres e maduros para curtir a nova fase da vida. ''A inocência de uma criança só pode ser percebida com a maturidade. Quando somos novos, elas são bonitinhas, engraçadinhas, mas não conseguimos descobrir a sua real beleza'', assegura.
A funcionária do Hospital Universitário, Célia Dohi, 49 anos, não só concorda como é exemplo de que a experiência pode trazer liberdade. Ela mesma garante que só descobriu a própria depois dos 40. ''Tive uma infância e adolescência difíceis, mas sempre acreditei que minha hora chegaria''. E chegou. A partir dos 46 anos começou uma série de mudanças: decidiu voltar a estudar, foi morar com o novo companheiro, não perde uma apresentação de karaokê dele e ainda faz aulas de dança de salão.
Feliz, ela procura preservar a boa saúde, seja física ou emocional. ''Prevenir é sempre melhor, por isso não se pode brincar nesta idade. Acompanhamento médico é muito importante''. Além disto, Célia ainda receita boas doses de otimismo e até, se possível, uma terapia. Ela ensina: ''Depois dos 40 a gente já superou traumas antigos e aprendemos a lidar com algumas situações, mas o divertido da vida é que sempre temos que aprender a viver novas coisas''.
E experimentar uma nova experiência é o que se propôs Tadeu Monteiro da Silva, de 44 anos. Depois de trabalhar em um banco durante 15 anos, sendo quatro deles como gerente, quando se viu desempregado não perdeu a oportunidade de mudar de vida e se tornar vendedor representante de uma firma que importa e vende correias. ''A empresa que trabalho prefere pessoas mais maduras porque elas já têm noção do mercado e, por isso, conseguem trazer resultados mais rápidos. Isso é bacana porque me sinto estimulado''.
O estímulo, somado à maturidade, garante Tadeu, é sinônimo de uma vida mais agradável: ''Em tudo ficamos mais ponderados. A qualidade das coisas acaba sendo sempre preferível à quantidade''. Fernandes Júnior, que é urologista, atesta que isso também se reflete na vida íntima. Os jovens, principalmente, os rapazes, costumam ser mais afoitos. ''Com o passar dos anos, essa ansiedade vai se transformando em experiência. Com isso, sexualmente ganham homens e mulheres'', reflete. Silva concorda: ''A vida íntima, e inclusive a familiar, aos 40 se torna mais prazerosa''.


