Vida nova, de verdade, em 2008
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de dezembro de 2007
Betânia Rodrigues<br>Reportagem Local 
Renovação - provavelmente - é a palavra mais adequada ao clima de fim-de-ano. Ela encaixa-se 'como uma luva' ao desejar mudança (para melhor, é claro!) ou reiterar votos de felicidade. De uma forma ou de outra, todos desejam dias melhores. Mas para que isso aconteça, é preciso dar também de si, e não apenas esperar por um novo tempo, que chegue de forma mágica. Faltando pouco para o início de 2008, a reportagem da FOLHA ouviu três histórias diferentes de pessoas que estão trabalhando na realização de seus sonhos, para que eles se realizem no ano que vai nascer.
Na Agência do Trabalhador (Sine), encontramos Evandro de Oliveira Veiga, 22 anos, entre mais de 40 desempregados. Casado e pai há um ano, ele procura uma vaga no setor hoteleiro para mudar o rumo de sua vida. ''Quero mais tempo para estudar e realizar outras atividades'', justifica o rapaz, que pediu demissão do escritório de contabilidade, há um mês. Segundo Veiga, a função de cobrador absorve muito tempo e gera muito estresse. ''Conclusão: aumentei o consumo de cigarros e usei as horas de foga para estudar. Isso não é vida!'', afirma. Além do otimismo, ele aposta na experiência para alcançar seu objetivo. ''Já fui office boy, mensageiro, garçom, camareiro e recepcionista'', explica. Encontrar um emprego de carteira assinada também é necessário para garantir o sustento da família. Desde o nascimento do filho, a esposa busca uma vaga em um salão de beleza para trabalhar como manicure e pedicure. A troca do certo pelo duvidoso a assustou, mas não o suficiente para demovê-lo dos planos. ''Aguardarei até o dia 10 de janeiro. Caso não encontre nada satisfatório, partirei para a informalidade'', adianta o desempregado, que ainda tem quatro anos do curso de Direito pela frente.
Num depoimento eloquente e emotivo, Chemili Campos, 25 anos, narrou episódios chocantes que marcaram seu envolvimento com o álcool e as drogas na última década. ''Comecei a beber e fumar aos nove anos, experimentei a cocaína aos quinze, cheguei ao crack com dezoito e há 40 dias tomo litros de suco de maracujá para conter a ansiedade e o vício'', desabafa. Caçula de três filhos, ela sempre foi o xodó do pai, que viu-se obrigado a transferir a empresa e a família para outro Estado antes que a filha morresse nas mãos de traficantes. A dependência química a afastou da escola na 8 série, causou duas overdoses, duas internações em clínicas de recuperação, trinta quilos a menos e ameaça de cirrose hepática. ''Uma vez, fiquei seis dias fora de casa sem dar notícias, gastei tudo o que tinha e ainda roubei para sustentar o vício. Minha mãe sofre por minha causa e há pouco tempo meu irmão voltou a falar comigo. Pensava que podia parar quando quisesse. Hoje, sei que o primeiro gole pode ser fatal'', conta a moça, que nunca sai sozinha por medo de sucumbir à tentação.
Álbuns de fotos e uma lista de amigos lembram a jornalista Sara Presoto, 28 anos, do período que viveu nos Estados Unidos. Prestes a deixar o País novamente, ela é puro otimismo em relação ao futuro. ''Quero aprimorar o inglês, fazer cursos na minha área e viajar muito. É um sonho antigo e sinto que a hora chegou'', justifica. Esse investimento exigiu muita economia, a demissão nos dois empregos e, em breve, a venda do carro. Mas Sara não titubeia. ''Não é loucura. Quando voltar, se voltar, recomeço outra vez. Peço a Deus sabedoria, discernimento e saúde porque o resto vem a reboque''. Para custear a empreitada na Europa, a jornalista negocia ainda a produção de reportagens especiais para a televisão. No horóscopo chinês, 2008 é o ano do Rato, que nesta cultura milenar simboliza a mudança. Embora não seja mística, Sara não duvida que esta viagem marcará uma nova fase em sua vida.


