Londrina - Bonecas sem braço, carrinhos sem roda, bichinhos de pelúcia sem olho. Esse é o ponto de partida para o trabalho da pediatra Nisba Volpi, que dedica parte do seu tempo livre em transformar brinquedos que não têm mais valor para algumas crianças, mas que talvez serão os únicos de outras tantas carentes. Não se trata de um hospital de brinquedos, mas da boa vontade de uma pessoa comum, que conta com a solidariedade alheia para arrecadar esses objetos usados e os deixar novos.
Nisba conta que sempre quis fazer um trabalho voluntário com crianças. "Queria fazer algo diferente da medicina, que pudesse realizar no meu tempo livre. Acabei por conciliar o trabalho voluntário com um hobby. Acredito que todos tenham um talento; devemos ajudar de alguma forma. Minha vida mudou para melhor", diz.
A história começou dez anos atrás, quando a pediatra leu uma reportagem sobre um casal que reformava brinquedos para crianças carentes. Naquele momento, decidiu juntar alguns e levar até o casal para os reformar. "Eles me disseram que não iriam arrumar e perguntaram se eu não queria aprender. Depois de um tempo, passei uma tarde aprendendo todos os truques. Eles me ensinaram como faziam para que assim, eu desse continuidade no trabalho. Quando pararam de reformar os brinquedos, eles me passaram todos os materiais como moldes, retalhos e vários acessórios", lembra Nisba.
Desde então, ela não parou mais. E lá se vão anos de dedicação recuperando o que parecia não ter mais valor. Nisba conta que o recorde de doações chegou a 5 mil brinquedos em um ano. "Meu trabalho depende das doações que recebo, então, esse número varia muito a cada ano. Às vezes, fico meses esperando uma rodinha que dê certo em determinado carrinho, ou a cabeça da boneca que vai encaixar no corpinho de outra. De um jeito ou de outro, tudo é aproveitado. Se não é brinquedo, acaba virando algum objeto de decoração, como quadros", explica.

Arte de transformar
Uma verdadeira arte da transformação, que já alegrou cerca de 20 mil crianças durante todos esses anos, segundo estimativas da pediatra. "Se a reforma não fica boa, não dou o brinquedo. Não é porque a criança é pobre que vai receber um presente ruim. Apesar que grande parte dos brinquedos vem em boas condições", afirma. Para a realização do trabalho, ela conta com a ajuda da mãe, Antonieta Volpi. "Minha mãe fica responsável pelas roupinhas das bonecas. Ela quem faz o molde, corta, costura. Faz ainda todos os detalhes como lacinhos e apliques."
Seus principais doadores são os pacientes da clínica em que ela trabalha e, a maioria dos brinquedos, vem de crianças com uma boa condição financeira. "A mensagem que gostaria de passar, além do agradecimento, é a da importância da doação. Gostaria que os pais não apenas pegassem os brinquedos de seus filhos, mas que transmitissem, principalmente, o valor da doação a eles. Conscientizá-los de que aquele brinquedo terá um significado para uma criança que não dispõe de tudo o que ela tem", destaca. Além de brinquedos usados, a pediatra recebe doações de materiais escolares e roupas.

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