VIDA NOVA - Obesidade nunca mais
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terça-feira, 28 de novembro de 2006
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
As aparências enganam. Quem vê a costureira Maria Luíza Bujardão Sampaio, de Ribeirão do Pinhal (57 km a oeste de Jacarezinho), toda sorridente e feliz, mal sabe que ela passou os últimos anos lutando contra a balança e a depressão. Aos 54 anos, ela resolveu arriscar uma mudança e realizou uma cirurgia de redução do estômago. No mesmo mês em que completa 60 anos, ela compartilhou com um grupo de 40 pessoas, que participaram de uma confraternização, como a operação mudou a vida dela.
''Nunca fui magrinha e depois da morte da minha mãe entrei em depressão e comecei a engordar. Cheguei a ter 148 quilos. Era compulsiva, tinha noite que não conseguia dormir e levantava para comer alguma coisa. E era sempre doce, doce, doce'', recordou.
Maria Luíza sofria de hipertensão, diabetes, tinha problemas nas articulações, mas o mais sofrido era o preconceito, inclusive da própria família. ''Magoa muito a gente'', confessou. Por conta das brincadeiras, a costureira até deixou de sair de casa.
Além dos três anos de espera para operar, o período de adaptação da alimentação após a cirurgia foi o mais difícil, rememora. Hoje, Maria Luíza não come mais carne vermelha e troca facilmente um prato de arroz e feijão por verduras, legumes e peixes. ''Logo após a cirurgia tive anemia, que hoje controlo só na alimentação. Também já não uso mais remédios de pressão e não tenho mais diabetes nem colesterol.''
A costureira chegou a perder 86 dos 148 quilos que pesava há seis anos, mas há dois anos voltou a engordar e hoje pesa 73 quilos. ''Para mim está bom, mas a nutricionista quer que eu perca mais quatro quilos'', disse Maria Luíza, que continua sendo acompanhada por médicos.
''Posso ter emagrecido, mas ainda tenho a cabecinha de gorda. Às vezes sonho que estou comendo um pratão de comida e acordo chorando'', desabafou. Mas nem todos os percalços a fizeram desistir do sonho de ser magra e saudável. ''Antes eu era só costureira. Hoje tenho várias profissões. Estou terminando o segundo grau, estudo turismo rural, faço aulas de culinária, oficina de teatro e caminhadas e danço em bailes da terceira idade. O que não fiz quando nova estou fazendo velha'', brincou.
Como Maria Luíza, outros 300 obesos de Londrina e região esperam na fila do Hospital Universitário de Londrina (HU) por uma cirurgia de redução do estômago. A preparação para o procedimento cirúrgico, explicou a psicóloga Vania Maria Vargas, leva até três anos e envolve acompanhamento de uma equipe formada por endocrinologista, nutricionista e psicólogo.
''O trabalho maior deve ser feito no pós-cirúrgico porque o paciente precisa entender que é a adaptação diária da alimentação que faz perder peso. E ele pode encarar isso tranquilamente ou não e é aí que entra o acompanhamento médico'', enfatizou Vania, que é coordenadora dos grupos de psicologia na cirurgia da obesidade do HU.
Na semana passada, cerca de 40 pessoas participaram de um almoço de confraternização dos grupos na Chácara Vale das Acácias, na Gleba Cafezal (Zona Sul). Entre os convidados estavam pacientes na fila de espera pela cirurgia e outros que já realizaram a operação. O almoço foi preparado por um dos grupos de homens já operados e o cardápio incluía salada de rúcula com manga, fricassê de frango e risoto de palmito.


