Forçados a acompanharem a família na rotina de mudanças em busca de novas oportunidades de trabalho, moradia e sobrevivência, muitas crianças e adolescentes experimentam, durante a vida escolar, o drama de trocar de escola repetidas vezes. Apontada como uma das causas mais comuns do estresse infantil, essa realidade impõe dificuldades que extrapolam a simples adaptação aos novos professores e amigos.
Burocracia, escassez de vagas, conteúdos diferentes e o próprio despreparo da família para lidar com a mudança são alguns dos obstáculos enfrentados. Na Zona Urbana, as constantes trocas de endereço fazem parte da rotina de vários grupos em situação de risco social que, sem casa, emprego formal e perspectivas, migram entre áreas invadidas desprovidas de qualquer estrutura ou urbanização. Na Zona Rural, o problema é enfrentado por famílias de trabalhadores que se mudam em busca de ofertas de trabalho, principalmente na colheita da cana e do café.

Distorção
As consequências trazem impactos diretos à formação dos pequenos cidadãos. Sem estrutura para se manter na escola, são frequentes os casos de abandono e reprovações que engrossam desfavoráveis estatísticas.
De acordo com o Instituto Todos Pela Educação, no Paraná 6,4% das crianças de 10 a 14 anos apresentam dois ou mais anos de atraso escolar. A distorção entre idade e série atinge 8% dos alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental, 23,2% nos anos finais e e 25% no Ensino Médio.
A taxa de evasão é menos expressiva, mas também preocupante. Conforme dados do instituto, 3,7% dos alunos dos anos iniciais do Fundamental abandonam a escola antes do final do ano letivo. A taxa sobe para 8,8% entre os estudantes dos anos finais e cai para 0,4% no Ensino Médio.
A pedagoga Mônica Maria Teixeira Figueirol, especializada em educação especial, lembra que o direito à educação deve ser garantido independentemente das trocas de endereço dos estudantes. ''O problema é que, entre uma mudança e outra, as crianças sempre passam algum tempo sem ir à escola.'' O principal prejuízo, segundo ela, é a dificuldade de acompanhar o novo grupo onde se inserem. ''A criança deixa de aprender alguns conceitos básicos que acabam interferindo no aprendizado de novos conteúdos.''
A consequência, em caso de retenção, é a defasagem entre idade e série que acaba gerando baixa autoestima e se torna um fator de estímulo para a evasão. Se o aluno é aprovado sem os conteúdos básicos, não vai conseguir avançar no processo de aprendizagem, o que resulta em frustração.
Para a pedagoga, a solução, na maioria dos casos, está na própria escola. ''Há necessidade de fazer um diagnóstico para saber o nível real da criança e oferecer um acompanhamento diferenciado, seja no contraturno ou no atendimento em educação especial, para promover a inclusão deste estudante.'' Segundo ela, quando as dificuldades passam desapercebidas pelos educadores, acabam impossibilitando o desenvolvimento. ''Isso não pode acontecer. A escola ainda é um espaço de esperança e assim deve ser mantida.''

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