Albari RosaJ.G., 14 anos, andando a cavalo: ‘‘Estou na rua porque quero’’Nos seus 14 anos de idade, J.G. teve a oportunidade de experimentar de tudo nas ruas, principalmente drogas como maconha, cocaína, cola de sapateiro e thinner. ‘‘Dá vontade de cheirar thinner só à noite porque é mais legal’’, afirma. Em casa, não vive mais. Saiu diante das frequentes brigas com o pai, que ele diz ser um viciado em maconha e cocaína. O garoto vangloria-se de ter deixado uma marca roxa no olho direito do pai durante uma briga.
‘‘Não me dou com ele. Quando meu pai fuma ou cheira é pior que um b...’’, diz. J.G. só retorna para casa, na Vila Pompéia, em Curitiba, para ver a mãe, a irmã e tomar banho. Depois cai na rua de novo para guardar carros, arrumar trocados, comer e cheirar thinner. ‘‘Estou na rua porque quero. Cuido de carro e peço dinheiro para comer e comprar thinner’’, justifica. Adquirir o solvente na capital não é difícil. Segundo o garoto, os comerciantes têm até o cuidado de embrulhar bem a lata para não despertar suspeitas.
O garoto pensa em ‘‘virar gente um dia’’. Lembrado que tem direitos como qualquer cidadão, reformula a leitura sobre ele mesmo.‘‘Eu acho que sou gente, mas uma gente que não tem futuro ainda’’, corrige. ‘‘Meu sonho é ser advogado’’, diz. (D.V.)

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