Vida na cidade não deu certo
Apesar de toda a experiência no campo exigida para integrar o assentamento, boa parte do assentados já viveu a experiência de trabalhar na cidade devido à falta de perspectivas na agricultura. Ademir Lavezzo, 30 anos, por exemplo, chegou a ser servente, mas não aguentou a vida longe do campo e voltou a trabalhar com o pai numa área arrendada até surgir a oportunidade de ter seu próprio lote.
A gente que nasceu no sítio prefere o sítio e só vai para a cidade porque é obrigado, diz Lavezzo. Animado com o trabalho, ele afirma que só deixa o assentamento se for tocado. Nosso trabalho ainda vai melhorar muito, prevê. José Penerotti, 34, chegou a ser metalúrgico em Valinhos (SP). Não me acostumei, conta. Quem nasceu tatu, tem que viver cavocando.
Penerotti voltou ao campo, mas como porcenteiro. De tudo o que produzia, 25% ia para o dono da área. O que sobrava tinha que dar para o patrão e eu ficava sem nada, conta. Carlos Carvalho Betis, 37 anos, abandonou a agricultura para trabalhar numa empresa que procurava gás natural na região de Iretama. Não gostou e vibrou com a chance de ser assentado. Aqui está melhor. Está difícil, mas estamos lutando para o futuro.
A dona de casa Zenir dos Santos Fabichaki, 36, não chegou a ir para a cidade com o marido e os dois filhos, mas lembra com poucas saudades do tempo em que trabalhava para terceiros. Ela e o marido eram meeiros num barracão de bicho-da-seda. De tudo o que produziam, metade ficava com o dono do barracão. Em um ano, já tivemos mais renda no assentamento.
Para o prefeito de Iretama, Same Saab, os trabalhadores rurais devem ser mais valorizados. Quem sabe fazer uma cerca de pasto, lidar com uma vaca, cuidar de um trator, regular uma colheitadeira e cultivar a terra é um patrimônio para a socidade. Não pode ir para cidade e virar um guarda noturno ou um frentista de posto de gasolina, frisa. (S.S.)





