Vida interrompida pela violência
Curitiba - ''O combate à droga exige uma abordagem multidisciplinar, para preencher os apelos das quais ela faz uso'', diz Thelma Alves de Oliveira, secretária estadual da Criança e Juventude. Ela chama também atenção para o fato de que a família deveria estar mais atuante. ''Porém é evidente que (a família) perdeu autoridade'', resume.
Wilian Zanin se queixa da ausência de políticas voltadas para saúde familiar. Ele preside o Conselho Tutelar de Sarandi (Noroeste). Com 30 mil habitantes em 2000, o município hoje possui 110 mil moradores. Além de um déficit de 40% no atendimento em creches, a estrutura nas políticas públicas mostra-se frágil, reclama Wilian, que julga haver, ao menos, uma demanda cinco vezes maior de atendimento nos programas lançados pelo Estado para jovens sem estudo.
Em março, a mídia nacional voltou olhares para Lucas (nome fictício), de Sarandi. Aos 14 anos, ele matou o pai, alegando que queria livrar a família da violência. O menino contou à FOLHA que seu pai era alcoólatra e começou a usar crack. Segundo o garoto, o pai trocava os móveis por drogas, aplicava golpes nos vizinhos para conseguir dinheiro e mandava a conta para a mãe de Lucas. A situação perdurou por cerca de 10 anos.
Após o crime, ele foi trazido para Curitiba, única cidade do Paraná com Vara do Adolescente Infrator. O menino aguarda para ser encaminhado ao Educandário São Francisco, onde ficará por dois ou três anos. ''Não tem vaga no Educandário'', corre em dizer o menino. Exceção entre os 150 adolescentes internos do Cense, Lucas chegou ao 2º grau sem perder nenhum ano da vida escolar. Questionado sobre como será a sua vida quando estiver em liberdade, ele sacode a cabeça, já um pouco inclinada para baixo, e responde: ''Normal. Vou sair daqui, continuar estudando e trabalhar como qualquer pessoa normal''. (A.F.)





