Vida frágil que merece cuidado especial
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quinta-feira, 30 de novembro de 2006
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Com o organismo vulnerável a enfermidades e sensível a diversos fatores externos, como a luz ou o ruído, o bebê prematuro precisa de um cuidado especial para sobreviver e ter uma infância saudável. Foi pensando nisso e também no acompanhamento das mães desses bebês que duas enfermeiras, professoras da Universidade Estadual de Londrina (UEL), formalizaram uma prática que, apesar de já adotada no hospital, ganhou ainda mais força no início deste ano: garantir uma vida saudável aos frágeis bebês e possibilitar assistência para as famílias dos prematuros.
Ao criar o projeto ''Atendimento de Enfermagem ao Recém-Nascido de Risco e sua Família no HU de Londrina'', as docentes Edilaine G. Rossetto e Sarah Hegeto de Souza reuniram uma equipe de profissionais que atuam de forma integrada e multidisciplinar em busca da redução do risco da mortalidade, além de orientar as mães sobre cuidados que devem ter com os pequenos bebês. Segundo Sarah, em Londrina, a cada mil bebês nascidos vivos, 11 morrem tendo como principal causa a prematuridade. Desses, mais da metade morre antes de completar um mês de vida.
Pelo menos 65 mulheres, que tiveram filhos com peso abaixo de 1.500 gramas, já passaram pelo projeto. A maioria é adolescente das cidades da região de Londrina. De acordo com uma das coordenadoras do projeto, a mãe de um prematuro passa por dois grandes momentos de crise quando dá à luz. Um deles, segundo Sarah, é que a mulher precisa se ''desfazer'' da imagem de um bebê grande e saudável como todas as mães pensam em ter. ''Ela tem que aceitar que ele é um bebê pequeno, frágil e que corre riscos. O projeto está com elas para ajudá-las a passar por esse momento de aceitação, além do período de internação, que ocasiona muita angústia às mães'', explicou Sarah.
Um outro momento de crise, segundo a enfermeira, é quando as mães voltam para casa com o filho. ''Elas estão felizes por poderem voltar pra casa com o bebê, mas se preocupam com o tamanho dele, com a maneira que darão banho nele e quanto aos demais cuidados'', disse.
A equipe do projeto, que conta com enfermeiros, residentes de enfermagem, psicóloga, fonoaudióloga e assistente social, também proporciona um acompanhamento domiciliar às famílias quando o prematuro, já com peso aproximado de dois quilos, volta pra casa. ''Orientamos as mães de acordo com a realidade daquela casa. Quando necessário, fornecemos cesta básicas e encaminhamos o caso daquela mãe a alguma entidade de assistência social. Se uma mãe não tem uma banheira para dar banho no filho, por exemplo, explicamos a ela o local e os horários adequados para dar banho no bebê'', comentou a assistente social Renicler Oliveira de Assis.
Ainda segundo Renicler, durante o período em que o bebê permanece internado, que pode variar de um prematuro para outro, os pais têm livre acesso ao hospital. ''Eles não são considerados visitas, podem vir a hora que quiserem. Temos ajudado algumas famílias com fornecimento de vale-transporte para mães que não têm condições financeiras de pagar a passagem de ônibus. Também contactamos hospitais da região para que mandem as mães de outras cidades por meio de ambulâncias. Elas ficam ainda mais tranquilas quando estão perto dos filhos.''


