Vida e luta através do artesanato
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terça-feira, 26 de abril de 2011
Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 
O jeito simples de lidar com as palavras e as mãos marcadas pelo tempo são dois pontos fortes de Maria José Teixeira Lopes, 61 anos, moradora há 22 anos do Patrimônio Selva (Zona Sul de Londrina). É com o serviço braçal e a habilidade das mãos que ela transforma palhas de milho e fibras de bananeira em tudo o que a imaginação lhe permitir. E é através de suas histórias de vida que ela se revela uma mulher batalhadora e um exemplo a ser seguido.
Reunidas semanalmente na casa da artesã, oito mulheres aprendem a arte de secar as folhas, misturar tintas, recortar diferentes formas e trançá-las, para criar coloridas flores e variados cachepôs.
Os custos com o processo de produção são pequenos, pois o principal material é encontrado nos quintais da vizinhança, mas é preciso ir atrás de compradores e isso é tarefa para dona Maria, que através do telefone celular atende pedidos de encomendas do comércio e particulares, além de se interar de cursos.
''Aprendi a trabalhar com artesanato em Curitiba, quando a Secretaria de Estado da Criança anunciou o curso. Fui atrás e aprendi. Agora, sempre quando aparece uma oportunidade, todas nós participamos'', conta com humildade, ao revelar ter ensinado mais de duas mil mulheres. ''As pessoas ficam sabendo do meu trabalho e me ligam. Já fiz tudo que você possa imaginar de serviço braçal para sustentar minha família, mas é o artesanato que me cura de qualquer tristeza'', diz.
Para o Dia das Mães, o grupo espera vender 100 vasos, que custam entre R$ 10 e R$ 35. Em cada produto, são etiquetados os nomes das artesãs, que vão receber o valor de acordo com as vendas.
Para Rosimeire Cristiana Silva Santos, 29 anos, que nunca tinha feito nenhum artesanato, o aprendizado está sendo um lazer, além da fonte de renda extra. ''As pessoas que veem nosso trabalho, elogiam muito e não acreditam que é feito com palha de milho. Eu sempre brinco dizendo que aqui no Patrimônio tudo é aproveitado'', conta, sorridente.
Alessandra Aparecida dos Santos Pereira, 28 anos, também aproveita o trabalho para decorar a casa e admite: ''é melhor do que ficar parado. Quando a gente se ocupa, a mente se distrai e tudo fica melhor.''
A filha de dona Maria, Marilza Lopes, de 38 anos, comenta que cresceu vendo a casa cheia de mulheres em busca de um aprendizado e diz que a mãe nunca deixou de trabalhar para sustentar a família. ''Ela deu até cursos de culinária e de aproveitamento de alimentos para ajudar as pessoas a ter um renda. Aqui no Patrimônio todo mundo já aprendeu alguma coisa com ela'', afirma.
Ao ser questionada sobre ser um exemplo a ser seguido, Maria José, com toda a simplicidade, responde: ''Acho que faço a diferença na vida dessas mulheres sim, a partir do momento que as faço acreditar nelas mesmas. Mas eu sempre digo uma coisa muito importante. A gente não pode pensar só em dinheiro. Nós temos que ser humanas, antes de tudo.''
Serviço - o telefone para encomendar ou comprar esses trabalhos é (43) 3341-1063 ou 9947-4211


