Vida difícil na terra sagrada
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terça-feira, 28 de novembro de 2006
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os índios guaranis que hoje ocupam a Aldeia Sambaqui, em Pontal do Paraná, no Litoral paranaense, sofrem com a falta de estrutura de moradia e saneamento básico. São apenas seis índios que há oito anos resolveram habitar novamente a região do Rio Guaraguaçu - considerada uma área escolhida por ''¥anderú'' (deus guarani). A área demarcada recentemente pelo município de Pontal do Paraná ainda não tem qualquer estrutura de saneamento básico, energia elétrica ou de habitação. ''Eles estão em situação de miséria, de mendicância'', acusa Pedro Guimarães, integrante do Conselho do Litoral.
A reportagem da FOLHA foi até a Aldeia Sambaqui conhecer a realidade dos índios. Para entrar, teve que pedir licença para o cacique Irineu Rodrigues, de 38 anos. No costume guarani, ninguém pode entrar nas terras indígenas sem permissão. Ele mora na aldeia com a mulher, Florinda Timóteo, 38 anos, e duas filhas - de 13 e 15 anos. Nenhuma delas tem acesso ao estudo. Elas ajudam a mãe a fazer artesanato. Fazem pouco. Vendem pouco.
Todos da família de Irineu sabem falar português, mas na aldeia eles preferem o guarani. ''A gente fala português para se comunicar com o branco'', explica. Na outra casa moram os avós de Florinda. Ambos com mais de 85 anos.
As casas são frias e úmidas. Irineu planta - sem ajuda governamental - o que precisa para sobreviver: feijão, milho, batata-doce, abobrinha e cana-de-açúcar. Ele tem algumas galinhas que produzem ovos para alimentação diária. Mas falta comida para a família. ''A gente tem muita dificuldade. Não tem alimento, cesta básica, auxílio para a roça. Isso falta. De vez em quando vem alguém aqui, mas vai embora. Não traz o que a gente precisa. Só particular (não governamental) é que ajuda a gente'', desabafa Irineu.
Há três anos, Guimarães já havia denunciado o descaso das autoridades com os índios da aldeia. O Conselho do Litoral havia sugerido a regularização da área (realizada em 2005) e a inserção dos índios na sociedade através do comércio do artesanato produzido pelas mulheres e pelas crianças. ''A produção deles é de alto nível. Não podemos deixar os índios jogados no meio do mato, com casa de pau trançado. Eles vivem em uma favela. As crianças estão sem escola'', denuncia.
Os índios são semi-nômades. Normalmente, eles saem das terras onde estão para outras que já foram deles. A mudança é sempre em família e não é programada. ''A verdade é que nenhum município do Paraná tem hoje estrutura para cuidar da política indígena'', afirma Guimarães.


