Vida de peão
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segunda-feira, 11 de abril de 2011
Fernanda Carreira <br> Reportagem Local 
A rotina deles nas exposições agropecuárias não é nada fácil. Eles acordam muito antes do sol nascer e continuam com as atividades à noite. Apesar do trabalho puxado, os tratadores dos gados ou, como são popularmente conhecidos, os peões, que trabalham na ExpoLondrina, dizem amar o que fazem.
A história de amor do experiente peão Sinomar Tadeu de Almeida, o Mineirinho, pelo animais começou cedo. Ele conta que foi criado em uma fazenda em Minas e trabalha há 35 anos com o gado de uma fazenda em Uberaba (MG). Diz que jamais conseguiria se imaginar trabalhando em outro ramo que não fosse com os animais.
Mineirinho é responsável pela vigilância dos animais durante à noite, no Parque Ney Braga, onde a feira é realizada até o dia 17 deste mês. Quando amanhece, ele vai descansar. Mesmo com o grande movimento no parque, ele afirma que consegue dormir na barraca, onde cabe pouco mais que sua mala e alguns objetos pessoais.
Como todo mineiro, Fernandes não dispensa um bom cafezinho, feito em seu fogareiro. ''O meu café faz o maior sucesso aqui na Expo e o segredo acho que está na velha chaleira que passou da minha vó para minha mãe e depois para mim'', sorri. Além do café, o peão mostra satisfeito o almoço preparado na cozinha improvisada dos peões, que fica bem ao lado dos pavilhões. ''Aqui, nós dividimos as tarefas e todos almoçamos juntos.''
O peão, que já fez partos de vários bezerros, explica que o trabalho de ajudar a trazer um animal ao mundo é sempre muito emocionante. ''É muito bom saber que estou ajudando a aumentar uma criação, pela qual somos responsáveis'', diz. Durante os 35 anos de trabalho com o gado, Mineirinho conta que já aprendeu reconhecer como estão e o que os animais precisam com pequenos gestos. ''Eu sei se o gado é manso, arisco ou se está triste só pelo olhar do animal'', conta.
Mesmo trabalhando diariamente com os animais, ele conta que se acidentou somente uma vez com uma vaca. ''Por descuido meu, uma vaca me chifrou e me jogou no chão, mas graças a Deus não me machuquei. O animal só fez isso porque estava assustada com o público.''
Apesar do sorriso largo e dos olhos brilhantes ao falar sobre o trabalho, o peão revela que é também a distância da família que mais dificulta o trabalho. ''Faz um mês que estou longe da família; difícil é, mas eu preciso do trabalho. Além disso, eu amo o que faço. Lidar com gado é muito mais fácil do que lidar com o ser humano.''
Bancário e caminhoneiro
Viajando com os animais de uma fazenda localizada em Neves Paulista (SP), o peão Junior Aurelio Valério, que já trabalhou como bancário e caminhoneiro, participa pela terceira vez da ExpoLondrina. ''A exposição de Londrina é marcada pela organização e carinho da população pelos animais. É bonita a reação das crianças quando veem o gado pela primeira vez, eles pedem para fazer carinho e não têm medo'', diz.
O peão, que também trabalha com o transporte dos animais, acorda às 5 horas e já começa a dar banho e alimentar os 68 animais da fazenda. ''A gente não para um minuto, porque se a gente dá um bobeira, eles já deitam em cima da sujeira e se lambuzam todo'', conta o peão.
Valério explica que o mais difícil é ficar longe da família. Após participar da feira em Londrina, ele explica que os peões irão para a Exposição Agropecuária em Uberaba (MG) e só então poderão passar 15 dias com a família. Depois viajam novamente. ''A esposa reclama mesmo. Mas daí eu falo: calma bem, fica mansinha e tudo se ajeita'', brinca.


