Vida de garoto maltratado pelo pai volta ao normal
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quinta-feira, 08 de abril de 1999
Lucilia Okamura 
Graças a Deus, agora tudo está tranquilo. A afirmação é do aposentado Amazino Guerber, 84 anos, que luta na Justiça para ter a guarda definitiva do neto, o menor F.R.G.A., de 10 anos. No mês passado, ele denunciou à Polícia o ex-genro, Rogério Antunes, sob a acusação de maus-tratos ao menino. Até que o caso seja resolvido, F.R.G.A. está sob a responsabilidade do aposentado.
O menino nasceu na casa dos avós, no Jardim Leonor (zona oeste) e morou lá praticamente durante todos estes anos. Adriana Antunes, filha adotiva de Amazino Guerber, morreu há sete anos e Rogério Antunes se casou novamente. Em dezembro do ano passado, ele apareceu na casa do aposentado e disse que queria levar o filho.
Amazino Guerber conta que ficou sabendo dos maus-tratos contra o neto somente no início de março e registrou queixa na polícia. O garoto confirma as agressões e, na época, mostrou as marcas de tampa de garrafa que tinha nos joelhos. Ele disse ter sido obrigado a ficar meia hora em cima das tampas.
Em entrevista à Folha, ontem, Amazino contou que já deu para matar as saudades do neto. Aqui ele tem tudo o que quer e não é judiado. Uma das primeiras providências tomadas pelo aposentado foi fazer o garoto voltar a estudar em uma escola próxima a sua casa. Quando F.R.G.A. foi morar com o pai, a madrasta havia feito a transferência para o Centro de Atendimento Integrado à Criança (Caic).
F.R.G.A. não gosta de conversar sobre o assunto, mas diz que está feliz. Perguntado o que faria se o pai aparecesse, diz: Saio correndo para me esconder.
Amazino diz que o garoto é muito parecido com a mãe. Os olhos e os cabelos são iguais ao dela. O caso do garoto está sendo analisado pela Vara da Infância e Juventude. No mês passado, a promotora Edina Silva de Paula, pediu a suspensão do pátrio poder do pai até que a investigação seja feita. O pai ainda não apareceu para se explicar.


