O es­pe­tá­cu­lo vai co­me­çar em 30 mi­nu­tos. A noi­te es­tá ge­la­da. No pe­que­no trai­ler, a tra­pe­zis­ta ar­gen­ti­na, fi­lha de pai bo­li­via­no e mãe co­lom­bia­na, ca­pri­cha na ma­quia­gem. Ca­ro­li­ne Bas­co­pe, 22 ­anos, nas­ci­da e cria­da ao re­dor do pi­ca­dei­ro, já ro­dou o Bra­sil, a Amé­ri­ca La­ti­na, pu­lan­do de ci­da­de em ci­da­de, de co­lé­gio em co­lé­gio.
  Ter­mi­na a ma­quia­gem, o aque­ci­men­to e o lo­cu­tor de voz gra­ve anun­cia a atra­ção. Jun­to do ir­mão Cris­tian, 24, ela é iça­da a uma al­tu­ra de apro­xi­ma­da­men­te 10 me­tros. Não há re­de de pro­te­ção. Co­me­ça o nú­me­ro. Em um dos mo­men­tos má­xi­mos, Cris­tian es­tá de ca­be­ça pa­ra bai­xo, pre­so ao tra­pé­zio pe­los pés e se­gu­ra a ir­mã com só uma das ­mãos. Equi­lí­brio e for­ça. ­Eles des­cem e a pla­teia, em tor­no de 150 pes­soas, aplau­de bas­tan­te. Da­li a pou­co os ­dois vol­ta­rão à ce­na. O ra­paz no glo­bo da mor­te. A mo­ça em ou­tra atra­ção de tra­pé­zio.
  As apre­sen­ta­ções são diá­rias. Os trei­nos tam­bém. A dis­ci­pli­na é de atle­ta. As ba­la­das ra­rís­si­mas. Mes­mo as­sim, ne­nhum dos ­dois pen­sa em ­sair do cir­co.
  As­sim co­mo Ca­ro­li­ne se­guiu os pas­sos da mãe, ago­ra en­si­na as ar­ti­ma­nhas pa­ra a fi­lha, Na­tá­lia, 5. ‘‘Dá mui­to or­gu­lho en­si­nar o que sei pa­ra a mi­nha fi­lha.’’ A fa­mí­lia Bas­co­pe faz par­te do cir­co Ma­xi­mus, que es­tá em Lon­dri­na, em um ter­re­no lo­ca­li­za­do na Ave­ni­da Ma­dre Leô­nia Mi­li­to.
  ­Anões de cir­co, Apa­re­ci­do Men­des, 46, o Ti­co, e a es­po­sa Mir­tha Fuen­te, 43, a Ta­ki, fo­gem de qual­quer es­te­reó­ti­po de bi­zar­ri­ce. O ca­sal tem ­três fi­lhos, com ­quem di­vi­de o trai­ler de 2,30 me­tros por 6,60. São ar­tis­tas, em pri­mei­ro lu­gar, co­mo di­zem com con­vic­ção. Com nú­me­ros bem en­saia­dos, ar­ran­cam ri­sos do pú­bli­co com pa­lha­ça­das que en­vol­vem até os cin­co mem­bros do clã de uma só vez.
  Mas e o pre­con­cei­to, vo­cês sen­tem por con­ta do na­nis­mo? Ta­ki é en­fá­ti­ca. ‘‘Na vi­da e na pro­fis­são, ca­da in­di­ví­duo se faz res­pei­tar por ­suas ati­tu­des. Fe­liz­men­te, não sen­ti­mos ­preconceito’’.


● É um aparelho de ginástica usado para acrobacias aéreas


● A história do circo no Brasil começa no século 19, com famílias e companhias vindas da Europa

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