Namoro, compromisso, casamento. Isso tudo combina com o século XXI? Amar ainda é amar, mas quanta diferença de algumas décadas atrás quando um toque de mãos, um abraço carinhoso ou um beijo roubado eram os limites mais longínquos que poderiam atingir os casais de amantes antes de trocarem alianças. A virtualidade, a competição e a liberação sexual atuais atropelaram o romantismo e inventaram um novo tempo, com novos jeitos de amar. A mudança é tamanha que muitos divãs hoje estão sendo ocupados por jovens casais de namorados atrás de respostas sobre o futuro do relacionamento.
Debruçado sobre a ''psiché'' humana há 48 anos, o psicólogo Cláudio Américo Sproesser viu sua clientela rejuvenescer. Ele explica que até mais ou menos a década de 1960, os jovens tinham os pais como modelo ideal de relacionamento. Atualmente, continua o profissional, essa referência foi transferida para o grupo social e essa mudança de paradigma se reflete na qualidade dos relacionamentos. O auto-respeito, avalia Sproesser, se perdeu nesse caminho e o que importa é a felicidade imediatista, escondida no presente. As consequências ficam para amanhã. O que antes era proibido hoje é liberado, a preocupação com o compromisso fica em segundo plano. E a felicidade muitas vezes acaba em frustação.
Procurado cada vez mais por jovens solteiros, a estratégia do psicólogo é convidar o parceiro para também expôr o que pensa e sente. ''Meu trabalho é preventivo, profilático. Tento ajudar o indivíduo a consolidar o relacionamento de forma madura. Meu objetivo é que um seja feliz e outro também, juntos ou separados'', observa Sproesser. Ele ressalta que o aconselhamento de jovens casais na fase do namoro é importante porque entre esse público a auto-estima (componente essencial para construir um relacionamento saudável) ainda não está totalmente consolidada. Algumas vezes, os parceiros acham que o melhor a fazer é cada um seguir a sua vida. E os conselhos, garante o profissional, podem ajudar a todos, independentemente da orientação sexual.
Para consolidar uma relação de forma saudável e feliz, o psicólogo destaca além do diálogo ''o tempero que está faltando a muitos casais'' outros três pontos fundamentais: os parceiros precisam ser amigos, companheiros e cúmplices. ''O amigo dá o ombro ao outro e o conforta nas horas difíceis; o companheiro é aquele que faz companhia e concorre para nossa alegria; e o cúmplice é aquele que mesmo não concordando com determinada situação aceita as diferenças'', comenta.
Quem passou pela experiência reconhece que a terapia trouxe autoconhecimento. O designer A.L.G., 30 anos, procurou o terapeuta após uma crise no relacionamento que mantinha com uma jovem de 27 anos. ''O choque foi muito grande porque nosso namoro servia de exemplo'', diz. Como já conhecia o trabalho de Sproesser, ele aproveitou o problema para iniciar uma terapia. Acabou se descobrindo e aprendendo a lidar melhor com sua personalidade e com os outros. ''Todo mundo que convive comigo já sentiu a diferença. A terapia me trouxe autoconhecimento, me fez gostar mais de mim e entender o que é amar verdadeiramente'', comemora. Agora, o designer está tentando retomar o antigo relacionamento e vai tentar fazer com sua ex-namorada também faça o aconselhamento.

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