Tirar um jovem comprometido com as drogas das ruas é um processo lento e difícil, mas jamais impossível. A afirmação é da gerente de média complexidade da Secretaria Municipal de Assistência Social, Sandra Coelho, também responsável pelo programa Sinal Verde, que atende pessoas em ''situação de rua''. A equipe do programa faz abordagens diárias com crianças, jovens e adultos, inclusive com os que estão acampados no terreno ao lado do PAI.
Estes últimos, explica Sandra, são um grupo rotativo: muitos passam por abrigos e acabam voltando, outros estão só de passagem os chamados ''trecheiros''. ''Na época da Exposição Agropecuária, nossa equipe encontrou no terreno três pessoas que tinham vindo do Rio de Janeiro especialmente para a feira'', observa. Nesses casos, o município entra em contato com a prefeitura da cidade de origem, confirma o endereço e a situação da pessoa e, eventualmente, compra sua passagem de volta.
Descobrir que o morador de rua tem família em Londrina não garante que a tarefa de auxiliá-lo seja mais fácil, garante Sandra. ''Nossa primeira tentativa é sempre reinserir no próprio lar, mas às vezes a família está desestruturada afetivamente, em situação de desemprego e miséria, ou com ocorrências de violência e abuso sexual'', salienta. Quando isso acontece, o jovem é encaminhado para uma casa-abrigo. Existem três em Londrina, sendo duas de caráter provisório e uma permanente. Nesta última, nove adolescentes habitam atualmente.
A gerente ressalta que o processo de adesão de jovens a um novo estilo de vida, com regras e atividades educativas, é gradativo e pode incluir muitas idas e vindas. ''Quanto maior o comprometimento com as drogas, mais difícil. Mas o nosso princípio é que, para todo ser humano, você tem que buscar novas alternativas. Estamos o tempo todo lutando para vencer da rua, que parece mais atrativa para esses jovens, mas é perversa.'' (V.N.)

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