Curitiba
Droga da moda, a heroína começa a ser consumida em escala alarmante em Curitiba. Apenas na Clínica de Recuperação Nova Esperança, este ano já foram atendidas 12 pessoas. Em cinco anos de funcionamento, a clínica havia atendido apenas um caso de dependência por heroína, em 1995. Só este ano, a clínica atendeu três casos de internamento e nove de ambulatório, por dependência da droga, considerada a mais devastadora do organismo.
‘‘A heroína é a droga do vazio’’, diz o terapêuta Ivo Hermógenes. Segundo ele, os efeitos da heroína são potencializados em comparação com outras drogas. ‘‘Os dependentes têm a sensação de encontrar o êxtase e caem em seguida num vazio profundo e angustiante’’, alerta.
A heroína provoca depressão profunda e quadros psiquiátricos extremamente graves. Quinze minutos de efeito ‘‘base espacial’’ proporcionados pelo crack feito com heroína levam os dependentes à loucura.
Nos registro da clínica de recuperação, os dependentes são, na maioria, da classe média alta, casados e com nível superior. ‘‘São pessoas que já usam drogas há muito tempo e estão com suas vidas afetivas completamente desestruturadas’’, conta Hermógenes.
Curiosidade, dificuldade em administrar os problemas da vida, carência afetiva e insegurança são as causas apontadas para o ingresso ao mundo das drogas. ‘‘Mas tudo só tem um resultado: desespero e uma eterna insatisfação’’, diz o médico.
O tratamento começa com três meses de internamento. ‘‘Mas tudo vai por água abaixo se não ocorrer uma mudança total de estilo de vida, a começar pelos ‘‘amigos’’. A relação com a família começa a melhorar nos primeiros sintomas de reação do dependente, garante o terapêuta.
Um grama de heroína custa R$ 30,00. A overdose provoca parada cardíaca. Muitos não suportam a loucura da droga e se suicidam.

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