A realidade observada pelos profissionais que lidam com gestantes viciadas em drogas mostra que a dependência quase sempre associa-se à miséria. ''É através das drogas que elas suprem necessidades como fome e frio'', avaliou Nelma dos Santos Assunção, coordenadora do projeto Casa Abrigo Pão da Vida, que recebe mulheres nas condições citadas.
Ela informou que as gestantes abrigadas na instituição são, na maioria das vezes, moradoras de rua, usuárias de drogas e que se prostituem para conseguir os entorpecentes. ''Elas chegam sem saber o tempo de gravidez ou sem ter realizado qualquer exame pré-natal. São crianças não desejadas e em situação de risco.''
Apenas na semana passada, três gestantes usuárias de drogas estavam abrigadas no Pão da Vida. ''Duas já manifestaram o desejo de doar as crianças antes de sair da maternidade'', revelou. As mulheres procuram a instituição apenas quando não têm mais condições de permanecer nas ruas. ''Se elas quiserem ficar com o bebê, podem voltar para o abrigo.'' Nelma relatou também que essas mães alternam comportamentos de profunda rejeição à gravidez com momentos de aceitação, quando sentem culpa pelas recaídas durante a gestação. (C.A.)

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