O programa do governo brasileiro que prevê a distribuição de drogas pesadas a viciados já está causando polêmica em Curitiba. O projeto, que está sendo discutido pela Secretaria Nacional Antidrogas, foi lançado na Suíça e deve ser implantado na Austrália e em Roma (Itália). A idéia é oferecer doses de cocaína, heroína e de outras drogas pesadas aos dependentes que se comprometerem a iniciar um tratamento para abandonar o vício.
A experiência suíça conseguiu reintegrar os viciados às suas famílias e conseguiu afastar os dependentes dos traficantes. Segundo representantes do governo brasileiro, o projeto objetiva cadastrar todos os dependentes de drogas pesadas no País e reduzir os índices de criminalidade associada ao uso de drogas.
Para o coordenador do programa de dependência química da Clínica de Recuperação Nova Esperança, Celso Maçaneiro, o projeto de distribuição de drogas a viciados no Brasil é ‘‘bastante arriscado’’. ‘‘Temos corrupção até dentro do governo. De onde viria essa droga e de que maneira poderia haver segurança na distribuição dela?’’, questionou.
Ele argumentou que a única maneira de tratar viciados em drogas pesadas seria pela abstinência. ‘‘Não existe cura para a dependência química. É meio contraditório tratar os viciados oferecendo doses gratuitas da droga’’, observou.
Para o ex-viciado em drogas e administrador de empresas I.J., de 44 anos, o fornecimento de drogas a dependentes é ‘‘incoerente’’. ‘‘Já passei por vários internamentos e tratamentos e somente na hora em que parei de usar tudo é que consegui me recuperar’’, contou. Para ele, o projeto não vai funcionar no Brasil. ‘‘Vai ter muito viciado se cadastrando para poder tomar a droga de graça’’, disse ele.
Já para o advogado criminalista Dálio Zippin Filho, o projeto suíço é ‘‘altamente positivo’’ e poderá ser benéfico para reduzir os índices de criminalidade no Brasil. ‘‘Com o cadastro e o controle dos viciados, será mais fácil combater o tráfico. Além disso, os dependentes serão tratados como doentes, e não como delinquentes, e poderão se submeter a tratamentos psicológicos para abandonar o vício gradativamente’’, disse.Arquivo FolhaMaçaneiro, da Clínica Nova Esperança: ‘‘Temos corrupção até dentro do governo. De onde viria essa droga e de que maneira poderia haver segurança na distribuição dela?’’Criminalista aponta
benefícios do
projeto para
reduzir tráfico

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