O que é pior: ter a liberdade das ruas aprisionado à cela das drogas ou, o contrário, tentar ficar livre do vício privado da liberdade dentro de um xadrez? Para J.A.A.C., a última opção lhe pareceu a melhor. Algumas horas depois de supostamente ter praticado um assalto a uma videolocadora, na última terça-feira, em Londrina, ele decidiu se entregar à polícia numa tentativa desesperada de ficar longe do crack.
Ele contou aos policiais que, com a ajuda de um comparsa, havia assaltado uma locadora localizada no Conjunto Parigot de Souza (zona norte) pouco depois das 20 horas de terça-feira. Eles teriam rendido o proprietário do estabelecimento usando uma espingarda de fabricação caseira que não possuia sequer o gatilho. O empresário entrou em luta corporal com a dupla e conseguiu tomar a espingarda, que mais tarde foi apresentada no plantão policial da 10 Subdivisão Policial (10 SDP). Mesmo assim, eles conseguiram levar R$ 20,00 em dinheiro, um relógio e uma pulseira.
Por volta das 4 horas da manhã de quarta-feira, J. foi até o plantão dizendo que havia praticado o assalto e que precisava confessar o fato ao delegado. Segundo a polícia, ele alegou que era usuário de crack e que preferia ficar preso do que continuar tendo que assaltar para conseguir sustentar o seu vício.
J. foi ouvido e o inquérito foi encaminhado para o delegado do 5º Distrito Policial, Jorge Barbosa, porque ele é morador na zona norte. Segundo Barbosa, o assaltante confesso não ficou preso porque não havia mais o flagrante. ''Já vi de tudo (como delegado), menos isso. Pode ser até que seja uma jogada dele, uma tentativa de amenizar sua situação'', comentou. Mesmo que fique comproavada a participação de J. no assalto, ele responderá ao processo em liberdade.

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