Vicente Rijo comemora 70 anos
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sexta-feira, 01 de abril de 2016
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
O Colégio Estadual Professor Vicente Rijo, localizado no centro de Londrina, completa 70 anos nesta semana. É o segundo maior da rede estadual e o primeiro do Interior do Paraná. Para comemorar a data, a instituição de ensino programou para ontem várias atividades, como apresentações artísticas, desfiles e exposição de painéis de fotografias. Todos os eventos foram realizados no ginásio de esportes do colégio. No entanto, é em uma sala localizada no segundo bloco que a reportagem foi buscar um pouco da história da instituição. Na sala está o registro das pessoas que passaram pelos bancos escolares. Lá estão os boletins de ex-alunos como os do jornalista, ator e agitador cultural Apolo Theodoro e da ex-professora e ex-presidente da Business Professional Women (BPW) de Londrina, Leozita Baggio Vieira.
Theodoro relembra que estudou no Vicente Rijo entre 1958 e 1964, quando o colégio ainda ficava na Rua São Salvador, onde hoje fica o Colégio Estadual Marcelino Champagnat. "Os professores eram muito bons e exigiam muita disciplina", conta o jornalista. "Na minha época aconteceu uma cena muito engraçada. Um professor de português disse que ia aplicar o ditado com uma das três lições que ele tinha dado. Eu copiei as três lições e coloquei no bolso. Na aula seguinte, na hora do ditado, eu joguei o que tinha feito fora e coloquei o que tinha copiado no lugar. Quando recebi a prova estava escrito 10, mas embaixo estava escrito vide verso. Quando virei a folha estava escrito zero. É que eu tinha pegado a cópia errada da lição. Depois disso nunca mais colei na vida" , relembra.
Theodoro lembra que estudava matérias como latim, francês, inglês, canto orfeônico e trabalhos manuais. Questionado se os estudos daquela época influenciaram na escolha da profissão, ele afirmou que ajudou na formação como pessoa, mas por desejo de seu pai cursou o científico (que era mais voltado para os cursos de Exatas). "Foi importante para formação de valores positivos, pois os professores eram bons, e se dedicavam aos alunos a ponto de ir de carteira em carteira para conferir as lições", conta. Ele relembra também de seu ex-professor de Matemática, Moacyr Teixeira, era comunista e foi preso no golpe de 1964. "Ele era bastante militante."
Já Leozita guarda recordações de duas épocas: como estudante e como professora. "Tínhamos aula de música e na época de estudante eu formava um trio. Eu tocava piano, a Cilene Alves tocava violino e a Sandra Valduga cantava. Para arrecadar fundos para a formatura, vendíamos mesas para festas e realizamos alguns eventos no Grêmio (Literário e Recreativo Londrinense)", relembra. "Tínhamos também aulas de inglês, espanhol, francês, desenho. As aulas eram muito boas e nos davam uma boa cultura geral", destaca.
Ao comparar esse período com o tempo em que lecionou, Leozita afirma que a grade curricular mudou muito. "Eles aumentaram a carga horária de algumas matérias e foram diminuindo as outras. Eu entrei como professora de música, mas eles foram tirando as disciplinas e a cada alteração eu me via obrigada a fazer um outro curso superior. Acabei fazendo seis faculdades, entre elas Letras e Artes Plásticas. Para mim, essa eliminação de algumas disciplinas foi prejudicial aos alunos."
A atual diretora do colégio, Eliane Pinheiro Góes, lembra que o Vicente Rijo é o segundo maior colégio do Paraná e precisa ser essa referência para Londrina, que formou tantas pessoas que se destacaram na sociedade. Ela relembra que além de ser uma referência educacional, os alunos se destacaram no esporte e na música, conquistando muitos troféus em jogos escolares e também nas competições de bandas marciais. "Temos que resgatar a história de muitos ex-alunos. Muitos deles retornam para cá, relatando que passaram na faculdade. Isso tudo é muito gratificante", afirma.


