Ruas largas mas sem sinalização e casas novas caracterizam o Residencial Vicente Palotti, na Zona Leste da cidade. O bairro foi inaugurado há três anos, mas boa parte das 331 casas populares (totalizando 1,5 mil moradores) já têm um aspecto mais personalizado, pelo menos nos muros e fachadas. ''Nós não podemos mudar muita coisa, nem aumentar a casa. Tive muitos problemas para construir uma edícula nos fundos, é um problema'', comenta a moradora Vanessa de Oliveira Ursi. Essas restrições fazem parte do contrato de aquisição, que não permite alterações no projeto das casas por integrar um programa novo da Companhia de Habitação (Cohab).
O fato de se tratar de uma urbanização recente, porém, proporcionou aos moradores algumas vantagens, como galerias pluviais e rede de esgoto. Mas, segundo Vanessa, a rede não é de boa qualidade. ''Já teve refluxo na minha residência, voltei de viagem e o interior da casa estava sujo de esgoto, e sei de outras pessoas que também tiveram problemas parecidos'', reclama.
Apesar disso, ela diz gostar da região. ''A tendência é o bairro ir crescendo e, com o tempo, se valorizar ou não, dependendo do que for instalado por aqui'', prevê, acrescentando que, apesar de faltar mais opções de comércio, o bairro tem a vantagem de ter escolas públicas e particulares bem próximas.
''Precisava ter mais comércio'', concorda o estudante Lucas Nunes, de 15 anos. O estudante considera a quadra poliesportiva localizada em uma das duas praças do bairro a sua única opção de lazer na região, apesar de não a utilizar com muita frequência. ''O povo daqui é legal. Junta o pessoal do bairro mesmo para jogar, dá pra fazer amizade'', afirma.
Brincar com os vizinhos também é um hábito dos filhos do morador Douglas Santos. ''Meus filhos vão à praça soltar pipa, e podem brincar com outras crianças no próprio bairro'', conta. O reduzido trânsito de automóveis ainda permite que as crianças retomem um hábito cada vez mais difícil nas grandes cidades: brincar com os vizinhos na rua. ''Aqui também é um pouco mais seguro. Não sei se isso tem relação com o fato de morarem vários policiais por aqui'', complementa.
Outra vantagem citada por Santos é a proximidade com o Centro e a presença de avenidas e supermercados próximos. ''A avenida que passa por aqui faz parte do Anel do Emprego da prefeitura, e existe um projeto para a transposição do rio para sair na Avenida Robert Koch, facilitando ainda mais o acesso'', informa, acrescentando que, além de várias linhas de ônibus transitarem por ali, estes levam apenas 20 minutos até o Terminal Urbano.
O morador, que trabalha como fiscal de trânsito, lamenta porém o fato de as ruas, largas e com asfalto novo, não terem qualquer tipo de sinalização. ''Não há placas de trânsito, nem faixas ou qualquer indicação de ruas preferenciais. Isso só não chegou a causar acidentes porque o tráfego de veículos ainda é baixo'', reclama, acrescentando que faltam também placas com os nomes das ruas.
Segundo o arquiteto Hirak Ohara, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), não há garantias de que a sinalização vá ser feita de imediato, mas o órgão deve encaminhar em breve um projeto para a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização. ''Nós vamos verificar se já há um projeto e encaminhá-lo. Caso não haja, ele será providenciado'', assegurou. Ohara lembra que, por lei, agora todo loteamento novo precisa ser entregue com a sinalização de trânsito pronta.

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