O vice-presidente da Associação dos Vendedores de Produtos Nacionais e Importados (AVPNI), Rogério Gonçales do Nascimento, admitiu ontem à Comissão Especial de Inquérito (CEI), responsável pela investigação da venda de boxes no camelódromo de Londrina, que há 15 parentes trabalhando no local. Para o presidente da comissão, Henrique Barros (PDT), os ambulantes estão ''desamparados'' pela administração pública.

O depoimento de Nascimento e da denunciante Dolores Surreição Palma foram colhidos à portas fechadas na Câmara Municipal. Segundo Barros, Dolores confirmou as denúncias de nepotismo que fez à imprensa na semana passada e também transferências e vendas que estariam ocorrendo ilegalmente entre os camelôs da Avenida São Paulo (centro). ''As denúncias são sérias e detalhadas, mas não há provas documentais. Vamos tentar consegui-las até o prazo final da CEI'', disse o vereador. Dolores não quis falar com a reportagem sobre o depoimento.

Em conversa com os integrantes da comissão, Nascimento ampliou o número de parentes (a denúncia inicial eram 12 pessoas) que possuem barracas no camelódromo, destacando que todos seriam independentes. ''Cada um tem sua família e todos começaram a vida trabalhando nas ruas. Não é justo que eles sejam excluídos do grupo'', argumentou o representante da AVPNI, lembrando que a situação dos familiares é legal perante o estatuto da associação e as determinações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).

O presidente da CEI disse que vai investigar as denúncias até o dia 15 de dezembro, mas adiantou que a ''materialização das provas será muito difícil''.
A comissão foi criada depois de uma denúncia feita há um mês, onde alguns ambulantes estariam cobrando até R$ 8 mil pela posse da área. Há também evidências que os camelôs estariam promovendo ''vendas disfarçadas''. A prefeitura já registrou este ano 33 transferências requisitadas (existem 45 boxes no local). ''A situação do camelódromo é lamentável e mostra que a CMTU está deixando o pessoal desamparado. Basta verificar a inadimplência de 70% das taxas de manutenção'', afirmou Barros, referindo-se aos R$ 20,00 mensais pagos por quem possui boxes no local.

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