Vice-prefeita sai da prisão e vai reassumir o cargo
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domingo, 22 de setembro de 2002
Benedito Teles<BR>Equipe da Folha 
Ribeirão do Pinhal A vice-prefeita de Jundiaí do Sul (64km ao sul de Jacarezinho), Ana Maria Andrade Abras (PSDB), reassume o cargo nesta semana. Ana Maria, acusada de porte ilegal de arma e formação de quadrilha, ficou presa 307 dias em Santo Antônio da Platina. Ela foi condenada pelo primeiro crime a dois anos de reclusão, mas a Justiça decidiu substituir a pena pelo pagamento de multa de cinco salários mínimos e prestação de serviços à comunidade. Ela foi absolvida do crime de formação de quadrilha.
Ana Maria foi presa em novembro do ano passado, durante operação da Promotoria de Investigação Criminal (PIC). Na casa da vice-prefeita foram encontradas armas de fogo. Na chácara de propriedade do ex-marido e ex-prefeito Valter Abras foram apreendidos dois caminhões com o chassi adulterado e outros veículos, além de várias caixas com notas fiscais falsificadas.
O ex-prefeito, condenado a sete anos no regime semi-aberto por porte ilegal de armas e receptação, continua preso na delegacia de Santo Antônio da Platina, enquanto aguarda o julgamento do recurso. Luiz Carlos de Castro e Donizete Aparecido de Carvalho também foram condenados a cinco anos por porte ilegal de armas e receptação. Outros dois envolvidos, o empresário Índio Brasil Nicolau e o mecânico Josemar Fogaça Leite, foram absolvidos da acusação de formação de quadrilha.
A vice-prefeita informou que vai retomar as atividades normalmente na área social, mas se queixou da lentidão da Justiça. Ela avaliou que somente o tempo poderá amenizar o sofrimento de quando estava presa. Ana Maria reafirmou que as acusações são infundadas. ''Houve uma inversão. No Brasil você é culpado até que se prove o contrário'', lamentou.
O advogado de Ana Maria, Cláudio Daledoni, informou que recorreu da sentença. Segundo ele, nenhuma acusação foi comprovada e, por isso, apelou ao Tribunal de Justiça para tentar a absolvição da vice-prefeita no crime de porte ilegal de arma. Ele também atribuiu a permanência da vice-prefeita a questões políticas regionais. ''Ela não deve absolutamente nada'', enfatizou.


