O comando de greve das universidades estaduais vai se reunir hoje, às 10 horas, em Curitiba, com a vice-governadora, Emília Belinati (PTB), e com o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Hermas Brandão (PTB), para tentar negociar uma saída para a paralisação. Mas a assessoria da vice-governadora adiantou que ela irá participar como interlocutora e não como negociadora.
No último sábado, uma assembléia do comando em Campo Mourão definiu que não negociaria mais com o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Ramiro Wahrhaftig, por ele ‘‘não ter apresentado nenhuma proposta concreta’’. A assessoria de Wahrhaftig, entretanto, informou ontem que o secretário continua como interlocutor oficial na negociação com os grevistas.
Segundo um dos representantes do comando de greve da UEL, professor Kennedy Piau, o secretário é adepto do que ele chamou ‘‘prática de Sharon’’, numa referência ao primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, de não negociar para depois afirmar que seus desafetos são intransigentes.
Piau reclamou que ‘‘a base perdeu a paciência (com o secretário)’’. Ele disse ainda que o secretário teria afirmado, numa entrevista, ‘‘que haveria um orçamento de R$ 200 milhões que poderia ser usado para reajustar o piso e mais US$ 106 milhões a fundo perdido’’.
O comando grevista também anunciou que pretende distribuir 70 mil cartas abertas com críticas à política do governador Jaime Lerner (PFL) durante o II Fórum Social Mundial, que se inicia no dia 31 de janeiro, em Porto Alegre (RS). Além disso, organizam também um ato público, com participação de diversas entidades, para o dia 18 de fevereiro, na volta do recesso parlamentar.

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