Josoé de CarvalhoCobrançaRepresentantes de projetos de alfabetização com Emília e Wahrhaftig na Cúria: pagamento de salários O atraso no repasse de recursos para pagamento de salários dos projetos de alfabetização de jovens e adultos da área rural foi um dos principais problemas discutidos durante audiência, ontem à tarde, na Cúria Metropolitana (centro). A vice-governadora Emília Belinati e o secretário estadual de Educação, Ramiro Wahrhaftig, participaram do encontro e prometeram que o repasse será regularizado o mais rápido possível. Estiveram presentes ainda representantes dos projetos.
Durante a audiência foram discutidos problemas referentes ao Projeto de Educação do Assalariado Rural Temporário (Peart), e programas realizados pela Brigada dos Trabalhadores e pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O presidente da Associação do projeto (Apeart), padre Dirceu Fumagari, explica que os recursos, na ordem de R$ 113 mil por mês, são utilizados para o pagamento de salários de 400 monitores, coordenadores e supervisores dos projetos.
O atraso no repasse dos recursos, segundo o padre Dirceu, estava ocorrendo desde janeiro deste ano. ‘‘No mês passado recebemos os recursos referentes a janeiro e agora estamos esperando os de fevereiro’’, relata. O secretário de Educação justificou o atraso afirmando que houve problemas operacionais, mas que a situação será regularizada o mais rápido possível.
Outra reivindicação dos representantes dos projetos foi um reajuste salarial para a categoria. Padre Dirceu explica que o salário é de R$ 149,00 (bruto) para os que trabalham nos programas. ‘‘Primeiro vamos regularizar os pagamentos para depois começar a discutir isso’’, afirma o secretário. Repasse de material didático, como lápis, caderno e borracha, e realização de pesquisa domiciliar sobre a realidade dos bóias-frias também foram abordados durante a audiência.
Emília Belinati ressalta que encontros como o de ontem são de grande importância para conversar, trocar idéias e tentar ‘‘reverter o quadro de injustiça do homem do campo’’. Ela garante que todas as reivindicações serão respondidas e, na medida do possível, serão atendidas. O secretário observa que estes projetos estão em uma fase de crescimento e consolidação. ‘‘E esta consolidação exige encontros constantes.’’
Padre Dirceu diz que o objetivo é de manter encontros constantes com o Governo do Estado. Ele ressalta que um dos assuntos a ser discutido nas próximas conversas é a criação do Conselho Estadual de Educação de Jovens e Adultos.
O Projeto de Educação do Assalariado Rural Temporário (Peart) e programas desenvolvidos pela Brigada dos Trabalhadores e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra atendem cerca de 13 mil alunos em todo o Estado. A informação é do padre Dirceu Fumagari. Ele informa ainda que trabalham nos três projetos cerca de 400 coordenadores, monitores e supervisores.
Dos três, o mais conhecido e difundido é o Peart, responsável pela alfabetização, neste ano, de oito mil pessoas. O projeto surgiu em 1990, no então distrito de Tamarana, com o objetivo de ser um trabalho alternativo na área da educação. Em 1992, foi firmado convênio com o Governo do Estado e atualmente está implantado em aproximadamente 75 municípios. O Peart é considerada a primeira iniciativa no Brasil voltada à alfabetização de bóias-frias.
O Peart recebeu este mês um prêmio do Ministério da Educação. Entre mais de 100 concorrentes, foi escolhido como o melhor projeto de educação popular do País. A experiência foi apresentada em Havana (Cuba), durante o Congresso Internacional de Educadores, que acontecerá de 1º a 8 de fevereiro.
O sucesso do projeto, segundo seus coordenadores, é o método. Os alunos são alfabetizados com monitores da própria comunidade e as aulas são realizadas na própria zona rural. São utilizadas referências que os trabalhadores conhecem, respeitando a formação e o ambiental cultural.

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