O tenente Nelson Villa Júnior é o comandante da Companhia de Rádio-patrulha da PM, responsável pela segurança das zonas Leste e Central de Londrina. Ele não soube explicar os motivos para a desativação do módulo do Jardim Interlagos, mas acredita que o funcionamento do posto não seja a melhor solução para o problema da segurança na região.
''Minha opinião é de que uma viatura faria o trabalho de forma muito mais efetiva, por se tratar de policiamento itinerante. O problema é que não podemos deslocar um carro para o Interlagos e deixar outras comunidades desporovidas, pelo menos por enquanto'', explicou o tenente, que concorda com os moradores quando eles apontam o tráfico como a principal causa para a onda de violência na região.
''A incidência desse tipo de crime é realmente grande, assim como o número de apreensão de armas de fogo'', ressaltou. Ainda segundo o tenente, a PM aguardava ainda para o final da tarde de ontem a expedição de dois mandatos de busca e apreensão em residências da região. ''Queremos que a população saiba que a PM está tentando atacar o problema na raiz.''
A área do Jardim Interlagos é de responsabilidade do 2º Distrito Policial, chefiado pelo delegado Antônio do Carmo, que credita a violência da região a um problema crônico no País: desigualdade social. ''É evidente que a quantidade de assentamentos em torno do Interlagos infla o índice de violência na região. Sem emprego e em condições sub-humanas de vida, as pessoas não vêem outra alternativa senão se envolverem com o crime'', afirmou.
O delegado e o tenente destacaram ainda que a população deve ajudar o trabalho da polícia. ''Nunca se deve deixar de encaminhar as denúncias, tanto para a PM quanto para a Polícia Civil. O telefone (181) garante sigilo absoluto a quem traz as informações. E é importante que as pessoas saibam que quanto mais rica de detalhes for a denúncia, melhor. Precisamos de provas para efetuar as prisões'', explicou o tenente.
''A violência tem origens, e na minha opinião, é a receptação. Se o traficante não tem para quem vender a droga, se o ladrão não tem para quem vender o produto do roubo, não há mais roubo. A população precisa ter consciência disso'', resumiu o delegado. (A.M.)

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